29 maio 2007

Prêmio de Consolação à Fidelidade

Para compensar minha ausência para meus poucos (mas queridos) leitores, segue abaixo uma maneira simples de descontar as frustrações, principalmente quando o alvo é assim tão específico:


10 maio 2007

After After Darwin

Ontem fui junto com a Cristina Lasaitis assistir à leitura da peça After Darwin, que estreará em breve, junto com a exposição de mesmo tema que será inaugurada no MASP.

A peça realmente promete. Didática e divertida, usando e abusando de metalinguagens e de atuações por vezes um pouco over, mas nada que estrague. O mais interessante é que o texto instiga discussões acaloradas e diversas, tais como os limites da ética, da intervenção teológica em contraponto com a visão científica, do fatores socio-culturais e além. Quando estrear, não percam.

O chato aconteceu depois. Fui idiota e muquirana o suficiente para deixar meu carro na rua. Todos que moram nesta cidade desgraçada sabem que deixar o carro na região da Paulista é no mínimo certeza de dor de cabeça. Claro, eu não fugi do clichê. Assim que entrei no carro notei que algo estava muito errado. Porta-luvas escancarado, todo seu conteúdo espalhado pelo carro, os bancos bi-partidos deitados, as tranqueiras do porta-malas espalhadas, coisa e tal. Estranhei que o rádio ainda estava lá (eu tinha levado a frente comigo). Liguei o carro e saí dali. Só fui fazer um inventário preciso mais tarde. E, para minha total e completa surpresa, descobri que as únicas coisas que estavam faltando no carro eram os dois exemplares da Coleção Necrópole que eu sempre carrego comigo para casos de necessidade (tipo alguém não acreditar que sou escritor).

Então você, ladrãozinho mequetrefe desta cidade maldita, caso um dia chegue até este meu blogue, saiba que tenho esperanças que você ao menos tenha roubado estes livros pois se interessou pelo conteúdo, e não com o intuito de trocar por pedras numa boca do lixo qualquer. Não tenho ilusões que minha obra irá despertar uma reação catártica ou uma epifania qualquer em sua cabeça limítrofe, mas torço veementemente que estes sejam apenas os primeiros de muitos livros que você lerá, e que este hábito se entranhará em sua rotina diária e transformará sua vida de tal maneira que você nunca mais necessitará arrombar e invadir a propriedade alheia atrás de alguma coisa qualquer que, espero, servirá apenas para aplacar algum tipo de desespero primal.

E já considere-se convidado para o lançamento de meus próximos livros. Pode ir. Faço questão de te dar um livro autografado DE PRESENTE. Não é armadilha, não. É sério.

Te espero lá.

09 maio 2007

Papa-gaiadas

Em homenagem à chegada do Nazi-Papa em terras tupiniquins, republico aqui um texto que escrevi na ocasião de sua eleição.

Ah, caso ninguém se lembre (faz tempo...) o nome de batismo de Palpati... quero dizer, Bento XVI é Joseph Ratzinger.

Dito isso, o texto:

O Conclave

© Alexandre Heredia

O velho cardeal recebeu o último voto. Sentia as juntas doloridas, mas sabia que precisava terminar o serviço. O mundo, afinal de contas, estava aguardando por um novo Papa. Leu a cédula, e finalizou a votação.

- Que Sua Eminência, o Cardeal da Inglaterra, se apresente.

Um surpreso cardeal inglês se ergueu. Chegou a ser empurrado em direção ao púlpito. Claramente aquela não era uma posição desejada, mas infelizmente era necessária, principalmente naquele período negro para a fé cristã que era esse início de milênio. Além disso, o próximo Papa teria como concorrente forte a imagem carismática do antecessor. Era como ser o último a se apresentar em um Concurso de Talentos, logo depois de um mágico. Nunca iria agradar.

O inglês sentou-se na cadeira em frente ao púlpito. Um bispo cansado aproximou-se. Em suas mãos, sobre uma almofada de veludo, o Chapéu. Se assemelhava a um chapéu de Papa, mas era velho e gasto. Também era a última prova.

O chapéu foi colocado com reverência sobre a cabeça do candidato. Um silêncio sepulcral se abateu por toda Capela Sistina, quebrado apenas pela tosse discreta de algum cardeal. Passaram-se um, dois minutos e nada. Até que finalmente ouviu-se um murmúrio. O chapéu tremeu de leve ao ser finalmente possuído pelo Espírito Santo. Faltava apenas uma coisa para que o novo Papa fosse escolhido. Todos, indiscriminadamente, aguçaram seus ouvidos.

- Sonserina! - gritou o chapéu. Vários se assustaram com o tom imperativo, mas logo em seguida alguns chegaram a rir.

O velho cardeal que presidia a votação desabou na cadeira. Com um gesto ordenou que o capelão entrasse e pediu-lhe que acendesse a fumaça preta. Em seguida, pediu aos presentes que iniciassem uma nova votação.

Os procedimentos se repetiram. Os votos foram escritos, recolhidos e contados. Novamente, o velho cardeal se dirigiu aos presentes.

- Que Sua Eminência, o Cardeal do Brasil, se apresente.

Desta vez o cardeal eleito levantou-se rapidamente. Um sorriso estúpido estampava seu rosto, mas era algo que indubitavelmente trazia simpatia. E simpatia, pensou o velho cardeal, era algo que a Santa Sé precisava nestes tempos conflituosos.

O cardeal brasileiro sentou-se, e novamente o chapéu foi colocado. Novo silêncio, nova expectativa, até que, de repente, o chapéu começo a murmurar:

- Paaaaaaa...

O velho cardeal suspirou. Só mais uma sílaba igual a essa, pensou, e o trabalho estava feito. Era visível na expressão de todos a mesma esperança. Ninguém lá era mais jovem, precisavam descansar, voltar a sua rotina, e aquele conclave estava demorando mais que o necessário. Mas precisavam ter certeza.

- Paaaaaaa... - continuou o chapéu, até que, finalmente – Paaaaaaamonha! Paaaaamonha! Pamonha de Piracicaba! É o puro creme do milho...

Desta vez ninguém entendeu nada. Que versos estranhos eram aqueles? Só compreenderam que não era um sinal de divindade quando o próprio cardeal brasileiro retirou o chapéu e voltou ao seu lugar, um pouco encabulado.

- Isso não está funcionando – declarou o velho cardeal, já irritado. - Este chapéu está com problemas. Sugiro que não o usemos mais. Ao invés disso, oremos para que o Espírito Santo nos ilumine e nos dê um sinal.

Todos aprovaram a sugestão. Aquilo estava realmente cansando. Simultaneamente eles fecharam os olhos, baixaram a cabeça e juntaram as mãos. Oraram em silêncio, os ouvidos atentos a qualquer distúrbio que pudesse indicar um sinal de Deus.

Subitamente, o salão da capela foi inundado por notas musicais. A prece parou, todos olhando em volta, meio embasbacados, pois não viram ninguém sentado na banqueta do imenso órgão. Mesmo assim o ar era expelido por seus tubos em notas claras. Em seguida, uma voz doce e profunda tomou o ambiente.

“And now, the end is near;
And so I face the final curtain.
My friend, I’ll say it clear,
I’ll state my case, of which I’m certain.“¹

Alvoroço. Estaria o conclave sendo visitado por anjos? Seria esse o sinal que todos esperavam?

“Regrets, I’ve had a few;
But then again, too few to mention.
I did what I had to do
And saw it through without exeption.“²

Não havia mais como manter a ordem. A voz, antes um murmúrio distante, agora utilizava a concha acústica da capela em sua plenitude. Todos, sem exceção, procuravam a fonte daquela voz misteriosa.

“Yes, there were times, I’m sure you knew
When I bit off more than I could chew.
But through it all, when there was doubt,
I ate it up and spit it out.
I faced it all and I stood tall;
And did it my way.”³

Sem ser convidado, um rato enorme escalou a mesa, parando sobre as patas traseira na frente do velho cardeal. A voz saía potente por entre seus dentes protuberantes, mais forte do que seus pequenos pulmões poderiam suportar, mas sem dúvida era ele o cantor daqueles versos.

Foi o cardeal americano que finalmente elucidou o mistério. Não que fosse uma explicação muito convincente, mas sem dúvida respondia a mais de uma dúvida:

- Look! It's a rat singer! - e repetiu - A Rat Singer!

Os versos terminaram imediatamente, assim como os sons do órgão. Antes que os últimos ecos se dissipassem o rato fugiu, desaparecendo por uma fenda no mármore. O silêncio voltou à capela.

- Habemos Papam – declarou o velho cardeal, chamando com um gesto impaciente o cardeal alemão. Iniciou uma prece, mas no fundo ficou o gosto amargo da impressão que, por mais que a questão tivesse sido resolvida, uma coisa era bastante clara:

A infâmia estava de volta à Igreja.


¹ “E agora, o fim está próximo; E então eu encaro a cortina final. Meu amigo, eu direi isso claramente, Apresentarei meu caso, do qual estou certo.“

² “Arrependimentos, eu tenho alguns; Mas de novo, muito poucos a mencionar. Eu fiz o que tinha de fazer, E perseverei sem exceção.”

³“Sim, houve um tempo, Tenho certeza que você sabe; Quando eu mordi muito mais do que poderia mastigar. Mas mesmo assim, quando havia dúvida, eu engoli e cuspi. Eu encarei, e permaneci de pé. E fiz isso da minha maneira.”
(Trechos de “My Way”, de Frank Sinatra)

02 maio 2007

Antes um Tremendão do que um Tremedo Bundão

Engraçado como às vezes um fato aparentemente banal pode gerar impressões tão diferentes.

Ontem assisti a um trecho da entrevista do Erasmo Carlos (sim, ele tem um site oficial que é uma brasa, mora?) no desgastadíssimo Programa do Jô e, vendo aquela aparência abatida, meio demodê, meio desgastada, perdida num paradoxo de si próprio, pensei cá com meus zíperes e botões: "Quero ser um velho assim!".

Sei lá, achei aquela imagem carregada, pesada do ídolo de outrora algo a ser venerado. Claro, ele tem seus problemas, carrega o fardo de ser uma auto-paródia pelo resto da vida, essas coisas. Mas a gente sabe que cada ruga, cada olheira, cada fio branco teimoso daquela cabeleira ainda rebelde conta uma história. Muitas. Com certeza está aí um cara que viveu, que não deve se arrepender de nada do que fez, mesmo quando cagou, quando errou, quando se estrepou. E eu respeito isso. Muito mais do que sua contraparte perneta e perseguidora de biógrafos, sem sombra de dúvida.

Eu nem ia escrever nada a respeito, confesso. Mas daí vi esse pôste lá no Jesus Me Chicoteia e senti um impulso de defender o Velho Tremendão, mesmo nunca sendo grande fã de sua música e nem mesmo de sua pessoa. Sei lá, achei a argumentação do Marco Aurélio meio fraca, meio superficial, completamente coxinha. Claro, são opiniões diversas vindas de pessoas (imagino) também bastante diferentes.

Mas eu não seria eu se não me expressasse.

26 abril 2007

Trôpego Trottoir


Como ando irritado, estressado e cansado demais para escrever algo decente, desisto de simplesmente apagar arquivos com páginas e páginas de textos ruins e indico a leitura de outros textos em outros blogues por aí. É isso mesmo, hoje vou gozar com o pau dos outros. Me processe. Mas entre na fila.

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Para começar o texto lisérgico e sem pontos finais que o Sérgio Rodrigues escreveu lá no Todoprosa. Leia de um fôlego só.

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Depois o texto sincero que o Donizetti escreveu hoje lá no seu blogue, o Hedonismos sobre essa viciante megalópole em que vivemos. Vale também pela citação, lá no finalzinho, do Novas Visões de São Paulo. Valeu, Doni! Não te conheço pessoalmente mas quando isso acontecer a próxima rodada é por conta do Richard!

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Já a Lucimara Paiva discorre deliciosamente sobre a paixão pela música que nós, leigos, possuímos mas não compreendemos completamente. Lá no blogue do Soltando o Verbo. Vale um bocado a leitura. Com sal e limão, Lu!

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E o Henry Bugalho, da comunidade Escritores - Teoria Literária do Orkut está traduzindo o workshop "Escrevendo Ficção", ministrado pelo The Gotham Writers, e disponibilizando tudo lá no Blog do Escritor. Vale muito a pena acompanhar.

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E, para finalizar, a bem sacada tirinha de hoje lá no Malvados (clique na imagem para ampliar):

23 abril 2007

Além da Visão [NVSP]


São Paulo é um império sensorial, uma experiência sinestésica e cacofônica que toma nossos sentidos de assalto.

São Paulo, para quem chega de avião à noite, parece ser apenas um mar de luzes multicoloridas. Visão simplória esta. Para aqueles aqui no chão ela também é permeada de sons, cheiros e sabores distintos, mas que em sua mistura tornam a cidade algo único.

Experimente um pouco de São Paulo através de meu texto de hoje no blog Novas Visões de São Paulo:

http://nvsp.tarjaeditorial.com.br/

16 abril 2007

Antes tarde do que à tarde: Kurt Vonnegut morre aos 84 anos

Como ele mesmo com certeza diria:

Coisas da vida.

(Eu ia escrever bem mais que isso a respeito da morte de um de meus poucos ídolos declarados, mas percebi que já tinha feito isso, e como prefiro homenagear a vida do que a morte deixo os linques para dois textos a respeito dele que escrevi recentemente (aqui e aqui) e também para dois pôstes do Psicopata Enrustido (de novo, aqui e aqui) que foram inspirados por este escritor maravilhoso. Valeu, Kurt!)

(A demora em colocar esse pôste (ele morreu no dia 12) foi por conta de um apagão internético que me tirou da frente do computador por alguns dias. Meu fígado ainda se ressente disso...)

10 abril 2007

Para que serve um viaduto?

Sou fotógrafo. Com a fotografia aprendi que as imagens mais importantes não se registram na câmera, mas na memória. O ato e o tempo de levantar a câmera, regular os mecanismos, posicionar o foco, fazer o enquadramento, exigem a consciência e a reflexão que o olho dispensa. O olhar se regula sozinho e revela na hora. Não é preciso ser fotógrafo para colecionar imagens. Todos têm o seu álbum de fotografias impalpáveis, que se conservam na memória. Algumas delas a gente carrega para sempre.

A dica foi da Carla Rodrigues, do blogue Contemporânea. Não sei se foi porque confio no espírito crítico da Carla, se foi a confiança na qualidade de boa parte do conteúdo da Revista Piauí, se foi o tema, que sempre me instigou, ou se foi por causa da ambientação (que serviu para me relembrar que preciso produzir mais um texto para o blogue do Novas Visões de São Paulo). Não sei. Só sei que curti muito este texto do Tuca Vieira. E aposto que você também vai curtir.

09 abril 2007

Coincidência?

Será que foi só eu quem achou a capa da nova coletânea de HQs do Sandman, Vidas Breves (2007, Devir) extremamente semelhante à capa do disco do Dream Theater, Metropolis pt. 2: Scenes From a Memory, de 1999?

A arte da capa do livro de Neil Gaiman é de autoria do cultuado Dave McKean. A do Dream Theater me escapa agora.

Mas minha dica neste impasse é: relaxe e leia um ouvindo o outro. Ambos valem muito a pena, independente de quaisquer coincidências bizarras que possam acontecer.

(Aliás, se alguém ainda não sabe, o disco do Dream Theater é uma história linear bastante interessante, fantasmagórica até, como se todo o disco fosse uma única "peça". Quem quiser conhecer essa história (em inglês), é só esmigalhar o rato aqui em cima.)

05 abril 2007

Suicídio corporativo

Em janeiro último Cian Kelliher, empregado demissionário da Ernst&Young, redigiu a mensagem de despedida abaixo (para ler no original, em inglês, aperte o rato aqui), que distribuiu a todos na empresa. O teor é azedo, meio raivoso até, mas de algum modo todos nós podemos nos relacionar ao seu conteúdo. Leiam (os grifos e a tradução são meus):

Minha Carta de Despedida:

Caros colegas,

Como muitos devem saber, amanhã é meu último dia. Mas antes de partir eu gostaria de usar esta oportunidade para dizer o quão prazeroso foi para mim digitar "amanhã é meu último dia".

Por quase todo o tempo em que trabalhei aqui alimentei a esperança de que eu um dia eu sairia desta empresa. E agora que este sonho se tornou realidade, por favor saibam que eu nunca alcançaria este objetivo sem a completa ausência de apoio de vocês. Palavras não conseguiriam expressar minha gratidão pelas palavras de gratidão que vocês nunca expressaram.

Eu gostaria de agradecer especialmente todos os meus gerentes: numa época onde a falta de comunicação se tornou algo comum, vocês consistentemente me impressionaram e inspiraram com a magnitude de sua falta de informação. É preciso de força para admitir um erro, e muito mais força para atribuir este erro a mim.

Neste ano e meio vocês me ensinaram mais do que eu poderia pedir e, na maioria dos casos, alguma vez pedi. Tive a sorte de trabalhar com alguns supervisores absolutamente intercambiáveis em uma imensa variedade de projetos aparentemente idênticos - uma lição inestimável de superar o tédio diário e superar o tédio diário e superar o tédio diário...

Suas demandas eram sempre altas e a paciência curta, mas eu me consolava ao saber que meu trabalho era, como declarado em minha avaliação anual, "na maioria das vezes satisfatório". Este é o tipo de agrado que nos manda para casa felizes após uma jornada de 10 horas de trabalho, sorrindo enquanto bebemos meia garrafa de um uísque na maioria das vezes satisfatório.

E a grande parte de meus pares: mesmo que mal nos conhecêssemos dentro do escritório, eu espero que, no futuro, caso nos esbarremos na rua, vocês me tratem da mesma maneira que eu trato vocês: sem contato visual.

Mas para aqueles poucos aos quais eu realmente interagi, seguem minhas notas personalizadas de despedida:

Para Caulfield: Eu sempre me lembrarei de dividir meus lanches com você, mesmo ignorando o fato de eu tê-los claramente etiquetado com meu nome.

Para Mairead: Sentirei falta de detectar sua flatulência tanto quanto eu sei que você sentirá falta de passar perto de meu cubículo para entregá-la.

Para Linda: Boa sorte em sua campanha para popularizar as correntes de email. Eu espero sinceramente que você tenha um final de semana repleto de boa sorte, ganhe um abraço de um velho amigo, e um bebê para preencher este seu útero empoeirado.

E, finalmente, para Kat: você estava certa - deu positivo. Conversamos depois.

Então, nesta despedida, se eu pudesse passar algum conselho ao indivíduo que irá em breve preencher o meu cargo, este seria para que aproveitasse a experiência como uma esponja e que sugasse tudo como uma boa mulher, porque uma oportunidade de trabalho como esta só aparece uma vez na vida.

Traduzindo: Se eu tiver que trabalhar aqui novamente eu prefiro me matar.

Atenciosamente,

Cian Kelliher

PS: Vou fazer um happy hour no Oden amanhã a partir das 17:30, caso alguém esteja interessado em encher a cara!

Claro que esta mensagem dificilmente ficaria confinada aos corredores da empresa, caindo na internet quase que instantaneamente e causando grande rebuliço na diretoria da Ernst&Young. Infelizmente o Sr. Kelliher traiu a si próprio redigindo logo em seguida uma vergonhosa mensagem de desculpas, justificando sua atitude como uma "piada mal compreendida".

Uma pena, ele quase se tornou meu herói.

03 abril 2007

Encontrando Nemo

O grande camarada Nemo finalmente baixou a guarda e montou um blogue, onde diariamente (ao menos é o que promete...) Ira fazer comentários a respeito de notícias inusitadas coletadas em jornais e revistas por aí.

Tá, a idéia não é original, como podemos comprovar pelos blogues do KibeLoco e o Verdade Absoluta, mas como o Nemo é um grande cara a gente dá um forcinha.

O endereço do blogue é: http://paulnemo.blogspot.com

(Depois dessa e do empréstimo do colchão, Nemo, já são DUAS que você me deve, hein?)

26 março 2007

Sou mais um Amor Expresso do que uma Inveja Inexprimível

Então, todo mundo já falou um monte a respeito da tal viagem que a Companhia das Letras e a RT Features estão promovendo para alguns poucos escritores escolhidos a dedo, intitulada Amores Expressos, não falou? Bom, acho que chegou a minha vez de tirar o dedo no nariz e enfiá-lo de uma vez neste assunto.

(Se não sabe sobre o que é que eu estou falando ignore o resto da mensagem ou vá se informar por aí. Isso aqui não é blogue jornalístico!)

Para falar a verdade eu não ia nem comentar nada. Cheguei a um ponto da vida que prefiro escolher as controvérsias das quais participo, selecionando apenas aquelas onde poderei lucrar de alguma forma ou comer alguém caso dê minha opinião. Não é o caso, mas como disse o Santiago Nazarian, "... se eu não falasse ia parecer que sinto uma enorme inveja, elegantemente sufocada". Então só para não ficar sem expressar minha opinião (e minha inveja), segue a transcrição de um email a respeito do assunto que mandei para a lista dos escritores do Novas Visões de São Paulo:

"Na boa gente, esse assunto está dando pano pra manga em tudo quanto é espaço literário na internet e fora dela.

Bobagem. Inveja pura.

O esquema desta viagem é que a escolha foi feita com um único parâmetro: É amigo dos organizadores (Rodrigo Teixeira e João Paulo Cuenca)? Então vai. E não sou eu quem diz isso, é o próprio Cuenca: “Os critérios de seleção foram de afinidade literária, interesse editorial e química com as cidades de destino”, disse ele em entrevista à Folha.

Este é um parâmetro injusto? Claro que não, porra! É um parâmetro como qualquer outro, mas que sempre parecerá injusto aos não escolhidos. Foi um parâmetro como este que, por exemplo, gerou este nosso espaço aqui (citando o Novas Visões). Se o Richard ainda não está cagando dinheiro para nos enviar pelo mundo para escrever é um mero detalhe! Aposto que se pudesse ele o faria sem problemas!

Iniciativas como esta, independentemente da origem do dinheiro (desde que lícita) devem ser incentivadas, e não enxovalhadas como se fosse um bando de desocupados mamando nas tetas do governo. Prefiro desperdiçar o dinheiro público tentando uma produção cultural do que vê-lo sendo desviado por aí. Discordo com o Gian que disse que isso não acontece na Gringolândia. Acontece sim, e pra caralho! Os estadunidenses tem uma política de incentivo à produção cultural e científica. Se você apresentar um projeto coerente eles liberam a grana sem muitas perguntas. E não exigem retorno! Claro que tem projetos que morrem na praia, que apenas desperdiçam tempo e dinheiro, mas não podemos mensurar o sucesso de um empreitada pelos seus fracassos! Se, digamos, 20% dos projetos financiados com dinheiro público virarem coisas sérias já estamos no lucro!

Acho engraçado que todo mundo reclama que somos abandonados por tudo e por todos, que o governo não ajuda, que as editoras não valorizam a prata da casa, essas coisas, e quando surge uma iniciativa como estas todo mundo desce a lenha sem dó nem piedade. Parece que todo mundo vira altruísta quando é deixado de lado.

Sendo assim desejo muita sorte aos escolhidos, e que obras primas nasçam destas viagens. Levem na bagagem a inveja de milhares de escritores (a minha inclusive!), e despejem-na em palavras sobre o teclado. Esqueçam essas bobagens de controvérsias hipócritas e pseudo-moralistas e criem! Criem muito. E se não criarem, tudo bem! Valeu a tentativa.

Quanto a mim, só me resta torcer para que algum dia algum amigo meu tenha uma idéia boa como essa e me enfie na treta. Sabe o que vou fazer? Dar uma bela banana para todos os invejosos e vou escrever!

Abração a todos,
Alexandre, meu pirão primeiro"

PS1: Para ler a opinião revoltada de Joca Reiners Terron (um dos escolhidos), aperte o rato aqui em cima.

PS2: Para ler a resposta elegante de João Paulo, o Cuenca, aperta o camundongo aqui.

PS3: Pára de reclamar, senta a bunda na cadeira e escreve, pombas!

23 março 2007

Notas de uma Vida - NVSP

Então, é hoje!

(Hoje o que, cabeludo metido a críptico?)

É hoje que eu estréio lá no blogue Novas Visões de São Paulo.

O texto é meio diferente do que meus leitores estão habituados.

Mas, como vocês sabem, esse lance de rótulo é para pote de maionese.

Passem lá, dêem uma lida e, se for o caso, deixem um comentário.

21 março 2007

Luluzinhas Literárias

Não lembro exatamente onde eu li isso então não me arrisco a chutar, mas há por aí uma certa informação de uma polarização vinculada ao sexo em alguns estilos literários. E neste estudo constatou-se que no campo da ficção o predomínio de leitores é feminino. Algo com grande margem de diferença (que meu cérebro cansado não se recorda de quanto, mas é bastante, pode acreditar). Acho que a pesquisa foi feita na Inglaterra, mas posso fazer um paralelo tupinambá usando a mim mesmo como modelo (de alguma coisa eu tinha que ser, ?).

Lancei meu primeiro livro, Necrópole - Histórias de Vampiros em outubro de 2005, após um período trabalhoso que visou angariar leitores e divulgar meu nome nos meios literários. Já neste primeiro lançamento eu e os outros autores da coleção conseguimos angariar uma quantidade razoável de admiradores (não ouso chamá-los de fãs ainda, apesar do caráter meio fanático de alguns). Fazendo uma pesquisa rápida no meu perfil no Orkut percebo que, entre estes admiradores, aproximadamente 80% são mulheres.

Claro que gosto de pensar que essas admiradoras em especial não estão vendo apenas minha obra literária, mas também minha beleza exterior e minhas madeixas esvoaçantes (Tá, exagerei...), mas sei que não é isso. Acho que a ficção REALMENTE pode ser considerada, até mesmo historicamente, "diversão de menininhas". Qualquer análise mais aprofundada que esta pode atestar isso. A literatura de entretenimento surgiu como válvula de escape às mulheres que permaneciam em casa, subservientes a maridos que frequentemente saíam de casa para guerras ou em viagens demoradas de negócios (também conhecidas como "putarias"). Não, não vou citar exemplos pois não sou estudioso do assunto e, como já disse, esta é apenas uma análise superficial. Mas pesquise por aí e comprove você mesmo. Nem que seja apenas para me contradizer. Gosto do debate e não tenho medo de sua sapiência recém adquirida!

Claro que isso não significa que nós, escritores, devamos escrever especificamente para o nicho feminino. Sou prova inconteste de que há homens que curtem literatura de ficção e entretenimento. E conheço vários outros assim. Mas também sei que a maioria dos homens prefere literatura informativa, técnica, prática, a ficar horas e horas atiçando a imaginação hum texto que, em tese, não informa absolutamente nada. Bicho bronco que somos. Os mesmos que transformaram os frondosos galhos de uma árvore em desagradáveis e pouco imaginativas clavas e lanças.

Outra coisa interessante que posso atestar é pelo conteúdo dos comentários no Psicopata Enrustido. Sempre que escrevo algo mais intimista, mais profundo, mais emotivo, os comentários são em sua maioria femininos. Já os textos mais lisérgicos, escrotos e, às vezes, desprovidos de algum sentido menos óbvio, são bombardeados por comentários masculinos. Ou seja, mesmo na minoria masculina que curte ficção há ainda uma sub-segmentação com respeito ao estilo e ao conteúdo em comparação às companheiras do sexo oposto.

O que isso tudo significa? Juro que não sei. Mas que vale uma reflexão a respeito, isso vale.

20 março 2007

Repúdio ao comentário preconceituoso sobre gatos pretos veiculado no programa televisivo Prá Valer, da Rede Bandeirantes

(Como ateu e "dono" de uma gata preta, faço questão de divulgar isso a quem quer que se interesse)

Galera gateira, pra quem ainda não sabe, a suposta sensitiva Márcia Fernandes andou falando no programa da apresentadora Claudete Troiano, da Rede Record, que gatos pretos são animais que a gente não deve ter, pois são usados pelas bruxas para fazer feitiços contra nós e vieram ao mundo com este fim...

Ser babaca é um problema só dela. O problema verdadeiro é que muita gente influenciável ouviu esse comentário, é fã da suposta mística e é bem capaz de começar a abandonar e até a agredir gatos pretos por ouvir uma afirmação estapafúrdia como essa. Como se os gatos pretos já não fossem suficientemente discriminados por superstição e racismo - são sempre os últimos a serem escolhidos para adoção nos abrigos e associações que cuidam de animais sem lar.

E aí, vamos assinar uma petição exigindo um pedido de desculpas?

É aqui, ó:

Repúdio ao comentário preconceituoso sobre gatos pretos veiculado no programa televisivo Prá Valer, da Rede Bandeirantes

Quem sabe funciona.

Camila

(Já assinei, Camila, e repassei para todo mundo que imagino que se importe com isso. O único problema foi segurar meus instintos homicidas frente a tamanha ignorância!)