11 agosto 2010

Adictus Maximus


Foco. Coisa difícil de conseguir hoje em dia. A gente senta na cadeira e abre a janela e, santo deus!, já são janelas. Ou balões, pop-ups e qualquer coisa que pisque, surja, bipe, grite e te fode. Porque o afã de participar da próxima onda, do próximo viral, de não ficar pra trás nessa corrida de inutilidades e picuinhas descartáveis é muito maior que gostaríamos de assumir. Somos movidos a feeds, tweets, SMS, messengers e o escambau. Não ter nada pra ler no Google Reader causa abstinência. Você fica lá, lendo a famigerada frase negritada em sua retina: "A sua lista de leitura não tem itens não lidos". Como assim, Bial? Já li tudo? Refresca a tela. Nada. Olha o Twitter. Nada. Porra, a internet caiu? Tem alguém online?


O mundo está se tornando uma esfinge salafrária. Decifra-me ou não te devoro. E queremos ser devorados. Informação é droga (mesmo quando é boa). Vicia. Nos tornamos consumidores de conteúdo. Mascamos bits e GIFs de gatinhos. Nenhuma criação dura mais que os quinze minutos warholianos. Qualquer notícia fica velha hoje mesmo. Aquela piada que você viu de manhã já venceu antes do almoço. E consumimos mais, queremos mais.

E criamos menos.

Continuamos criando, isso é certo. Não haveria consumo se não houvesse produção. Mas que produção é essa? Lembra-me uma fábrica de mangás. Um pesadelo chapliniano. Nos tornamos tão consumistas que consumimos o inconsumível apenas pois a ausência nos consome. Ou algo assim. Linha de montagem, saca? Não se produz mais para o deleite, mas apenas para aplacar a fome de conteúdo. Qualquer conteúdo. E nesse angu raso de imbecilidades o que realmente interessa vai ficando pra trás. Vai se descuidando e se tornando não irrelevante, mas incompreensível. Pois não está mastigado, não está pré-digerido. Porque tem letrinhas demais. Hoje em dia é mais fácil ficar famoso por ser odiado do que por ser admirado. Valeu, molecada. Sua trollagem conseguiu que todos nos nivelássemos por baixo. Espero que estejam felizes.

Sim, estou frustrado. E precisava produzir algo. Pra fazer minha parte. Consuma, digira e cuspa. De nada.

2 comentários:

Zaffar disse...

Só li o texto inteiro porque o google readers estava sem posts novos... que saco!!!

Barbara disse...

As coisas caem em nossas mãos já lidas, revistas e comentadas. Por isso há tanta facilidade em se consumir cada vez mais e mais dificuldade de se tirar coisas novas das pessoas. Ninguém gasta mais tempo PENSANDO, ELABORANDO. Se vc gasta mais de uma hora pensando em algo, é doido, é alguém que realmente não tem nada pra fazer (eu sou uma dessas pessoas que não tem nada pra fazer, então xD).
Mas ainda há esperança... ou pelo menos isso espero o_o