02 fevereiro 2010

Tarantino e a mediocridade narrativa

Finalmente assisti a tão alardeada "obra prima" de Quentin Tarantino, Inglourious Basterds (ou, como foi traduzido por aqui, Bastardos Inglórios).

E qual foi o meu veredito?

Decepção completa.

O filme é uma porcaria. Não em termos técnicos. A direção de arte é primorosa. A edição espetacular. A fotografia belíssima. Mas tudo isso em cima de um roteiro rasteiro, pedante, auto indulgente, com personagens rasos como uma pizza e um "arco dramático" pra lá de imbecil. Fora as atrocidades históricas que deveriam levar qualquer pessoa que estudou o MÍNIMO da Segunda Guerra Mundial no colégio a arrancar os cabelos em desespero. Não, não estou exagerando.

O que levou Tarantino a produzir uma bomba como essa? Nunca o considerei um grande expoente cinematográfico, mas seus filmes anteriores tinham seus méritos. Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992) era interessante. Pulp Fiction (1994) trazia finalmente para o cinema pop a narrativa não linear (e um pouco da irreverência de Cães de Aluguel). Até mesmo a "bilogia" Kill Bill (2003) acertava no quesito divertimento, justificando seus exageros pelo tom farsesco da trama. Nada genial, nada revolucionário, mas no fim das contas funcionava.

Daí veio essa porcaria que é Inglourious Basterds. Nele vemos um Tarantino descontrolado, abusando de longos e maçantes diálogos (que, dizem, é seu ponto forte), cenas absurdas injustificadas e toneladas de referências jogadas sem a menor necessidade. Tarantino acreditou piamente que qualquer bobagem que ele escrevesse seria tratada como um produto de uma mente genial. Pelo burburinho da mídia percebemos que ele tem razão. Mas a mim o senhor não engana, Tarantino.

Sua obra pode ser comparada a um Ovo Fabergé: uma casca linda de se ver, mas vazia de significado, sentido ou qualquer sombra de relevância. É um filme que se sustenta num "estilo" pretensioso e oco. Um exercício de estilo pelo estilo, pura e simplesmente. Uma obra que nada se tira e nada se leva. Completamente descartável. Após tantos anos ouvindo de todos os lados exaltações a sua "genialidade" posso dizer a plenos pulmões: Tarantino, você é uma fraude. Sua máscara finalmente caiu.

Quando terminei de assistir ao filme, em meio a raiva e a frustração por ter desperdiçado duas horas de minha vida nessa porcaria, pensei em todas as críticas positivas que ouvi antes de assistir o filme. Pensei comigo mesmo: "Será que só eu vejo o quão ruim é esse filme?".

Aparentemente sim.

Daí fiz uma analogia que sempre faço. Cada vez mais vejo escritores iniciantes "vestindo a camisa" de um estilo x ou y. "Ah, eu escrevo sobre vampiros". "Ah, eu escrevo ficção científica¨. "Ah, eu escrevo fantasia". E blá, blá, blá, etecétera e tal. Não estou criticando os (poucos) bons escritores de gênero dessa nova geração que estamos vendo despontar. Escritores que optaram escrever em determinado gênero, mas não se limitam a ele. Falo sim dos autores que praticamente xerocam seu livro predileto. Esquecem que toda boa história tem um TEMA.

Não basta me dizer que você escreve "histórias de vampiros". Vampiros não são tema. São alegoria. Nem que você escreve "histórias de FC". Ficção científica é muito mais que naves espaciais, armas laser e alienígenas exóticos. É um estudo que pode ser sociológico, futurólogo e até mesmo psicológico, utilizando cenários futuristas apenas para ilustrar esses temas.

E o que é um tema? De acordo com Milan Kundera em seu "A Arte do Romance" (1986, Companhia de Bolso), um tema é "uma interrogação existencial". É algo que mira para além da superfície, que lida com temas profundos da existência humana. São os sentimentos, as emoções. Eu não escrevo terror. Eu escrevo histórias de amor, de coragem, de sacrifício, lido com o medo, as fobias, a consciência, as frustrações do leitor. Todo o resto são decisões de estilo para que o leitor receba aquele tema de maneira eficiente quando terminar de ler. Que o faça pensar. Toda boa história deve ser epifânica. Tendo vampiros, lobisomens ou caçadores de nazistas nela ou não. Escrever bem vai muito além de acertos ortográficos ou gramaticais (estes são valores essenciais). Escrever é uma arte. E toda arte deve transmitir alguma coisa a seu receptor. Ou então sua história será como o filme de Tarantino: uma casca de ovo belamente decorada, mas recheada apenas de mediocridade.

E fadada ao esquecimento

14 comentários:

Tibor Moricz disse...

Não assisti a esse filme, ainda. Mas detestei Kill Bill em todas as suas versões. Gostei de Pulp Ficcion, embora não o considere uma obra de arte. O melhor filme com o Tarantino foi, pra mim, Um drink no inferno. Mas aí ele não era diretor. Talvez esteja nesse detalhe toda a diferença.

lubain disse...

Você é chato, invejoso, pretensioso e pseudo-intelectual.

bla bla bla.

Rodolfo H. disse...

Puta que pariu. Aprende a escrever, pensar e ler antes de ficar vomitando suas opiniões cagadas. Eu NAO gosto do Tarantino mas seus argumentos nem são argumentos.

magro disse...

Por que vocês não colocam a opinião de vocês sobre o tema e não sobre o autor do post?

Se sua opinião diverge da dele, talvez seja uma boa idéia discutir o tema, não?

Breezecat disse...

Olha,eu gostei de Um drink no Inferno,depois da parte do bar...of course..pq foi ai q ele me surpreendeu.

Realmente vou pensar duas vezes antes de ver um filme de duas horas que mereceu um post como este seu..rsrs

obs:é,eu acho que quem entra para comentar tem que falar sobre o tema,ninguem aqui pediu comentários sobre a vida do autor do post.

obs2:masss...já que rolaram os comentários...aê Lubain...não é não..ele só é foda!(prontofalei!) hahahaha =p

Nelson Lourenço disse...

O engraçado é que o roteiro foi lançado em livro. Talvez no papel os diálogos sejam mais convincentes. Ouvi algumas críticas negativas a esse respeito, mas o fato é que, talento do ator ou não, aquela abertura do início do filme me convenceu. Só achei que a coisa desanda do meio para frente. Não esperava muito, Tarantino foi legal só em Cães de Aluguel e no roteiro do "True Romance", seu primeiro roteiro aliás

marcus disse...

Eu sou putinha do Tarantino. Gosto bastante de todos os filmes dele. Mas Bastardos Inglórios é ruim mesmo. Nem pelas atrocidades históricas: achei interessantíssima esta transgressão do diretor. Mas excetuando a atuação do alemão caçådor de judeus, todo o resto do filme é ruim de dar dó. Como tu mesmo disse, nem os diálogos que ele escreveu se salvam.

Fulano disse...

Achei o filme brilhante, infinitamente superior à baboseira do kill bill.

SPOILERS

Minha interpretação:
O filme na verdade é sobre o cinema e sobre vingança. Tarantino diz que o cinema é como o personagem do Brad Pitt: a mera derrota na guerra não é punição o suficiente para os nazistas, eles devem carregar para sempre a cicatriz de seus atos, eles devem ser para sempre os "vilões-padrão" no cinema. O cinema faz deles o que quiser. Faz um filme com o hitler morrendo da forma como quiser.

Geralmente o fato de hollywood ser administrada por judeus não é mencionada em filmes, mas com personagens que fazem referências a não apenas artistas como também a donos de estúdio (como a cena em que aparece o Mike Meyers e o ator que intepreta o Churchill), e com uma grande tela de cinema rindo de um monte de nazistas morrendo num incêndio dizendo "esta é a minha vingança judia" (com, logo depois, um momento completamente absurdo e não-histórico se desenrolando durante isso), acho que não dava para o Tarantino ser mais explícito.

Crônicas de um homem só disse...

Eu preciso parar de assistir filmes só por causa do nome do Diretor e dos atores. Sou um rpgista com um defeito: sempre me preocupo mais com a interpretação dos atores do que com o conteúdo do filme.
Achei legal, um filme para você assistir num domingo a tarde no lugar do Faustão. rsrsrs

joao ortiz disse...

Para falar do Tarantino vc deveria no mínimo escrever melhor que ele, e só por este post fica claro que vc não escreve bem #fato

Anônimo disse...

Começo a entender porque o blog chama Gardenal Com Fanta Uva.

Anônimo disse...

Pelo visto vc não entendeu absolutamente NADA do filme. E ainda acha que o Tarantino "errou" do ponto de vista histórico. Amigo, vai pesquisar antes de falar besteira, você como escritor deveria saber disso.

Rafael Kuvasney disse...

Puts, cara... fudeu. Eu acabei de falar que acho Pulp Fiction o filme mais foda de todos os tempos. Acho que é porque sou tão culto quanto um copo de cerveja Krill. Não achei o Inglorious Basterds uma obra-prima, como disse @Nelson Lourenço, ele se perde do meio pra frente. As atuações são fantásticas, mas o Tarantino escorregou um pouco. Mas ele ainda me engana.

Anônimo disse...

Engraçado você me acusando de "grosseiro" e "agressor", você chama o filme de "porcaria", "bomba" e "imbecil", convenhamos que isso não são os adjetivos mais elegantes para se fazer a alguma coisa.

E você ainda acha que o diretor/roteirista não conseguiu te enganar. Estranho, ele enganou a maioria das premiações que concorreu e os 88% dos críticos do Rotten Tomatoes. Parabéns, você realmente tem uma percepção única.

Quer argumentos do pq o seu texto é pedante e sua opinião é arrogante e estúpida? Eu te dou argumentos.

O primeiro ponto que merece destaque é o fato do Tarantino não fazer um filme cheio de lugares-comuns sobre guerra. Com certeza, amigo, você já viu muitos filmes de guerra e sabe que eles são todos muito parecidos. Tarantino, como um enorme apaixonado e entendido de cinema, filtra a história por uma lente mítica (algo que o cinema pode oferecer muito bem), mostrando uma "vingança de fantasia".
A discussão é: são óbvios os crimes que os Nazistas cometeram, porém, numa situação inversa, como agiríamos? Metralhando todos, desarmados, num cinema fechado? Julgamos a violência, com violência?
Algo que Michael Haneke discute bastante em seus filmes (assista Funny Games, se não tiver visto).
O próprio Tarantino discute muito a violência em seus roteiros, como em Amor à Queima Roupa e Assassinos por Natureza. Só que desta vez, o cenário foi diferentes. Ele simplesmente não cometeu "atrocidades históricas", foi uma "alegoria" como vc mesmo definiu.

O Jô Soares faz isso em seus livros (sem o teor humorístico, óbvio), mas subverte os acontecimentos históricos da mesma forma.
Merece comparar também com Dr. Strangelove, do Kubrick. Ele também adotou as mesma liberdades históricas e fez um filme excelente. Ou o Kubrick também é canastrão, enganador?

Eu concordo quando você diz sobre escrever histórias de gêneros, e essa babaquisse que está sendo feito hoje em dia (e, como vc falou também, não vale generalizar).

Bastardos é exatamente isso. Não é um filme sobre Guerra (ele está todo "errado", não? - não estou ironizando aqui) é um filme sobre violência. O que não é um gênero.

Sem falar que o filme conta com um personagem muito interessante e que merece todo o destaque. O vilão Hans é uma figura única. O final do filme mostra isso.
De tão inteligente, percebendo da iminente derrota dos Nazistas, tenta se sair bem da situação. Se propõe a entregar todos os oficiais em troca de prisão política (caso contrários seria morto). Isso é de gênio. Acontece que os "crimes" que ele cometeu são eternos, e é isso que o Aldo (Bard Pitt) faz quando marca os rostos dos que captura. E os personagens do filme são "rasos"? (palavra sua)
Na maioria dos filme de guerra os personagens são arquétipos, aqui, definitivamente eles não são.

Sem falar que para nenhuma das enumeração que vc fez, vc não argumentou nenhuma. E depois eu que não tenho argumentos?

Meu comentário anterior não foi grosseiro, nem "caguei" regra nenhuma. Apenas seu comentário do filme foi ignorante e sem fundamento. Levantar a bandeira do intelectualismo e meter o pau na cultura mainstream é muito fácil, mas cuidado para não ser piegas.

Não quero trolagem, não quero baixarias. Aqui é uma discussão saudável, entre pessoas civilizadas.

Toda ação tem sua reação. A minha ação é reação do seu texto arrogante e unilateral.

Abraço, amigo, e boa sorte pra vc.