03 novembro 2008
Tributo à capela para John Williams
Pra quem não percebeu (e com certeza vai ter que assistir de novo) toda a letra homenageia o universo Star Wars.
É oficial: o mundo é dos nerds.
Achei aqui.
31 outubro 2008
Mortos vivos de SP, UNI-VOS!
É isso aí, povinho. Chegou o dia de mais uma Zombie Walk aqui na paulicéia. Eu estarei lá, como em todas as edições anteriores.
Para quem não sabe que catzo é isso, clique aqui e divirta-se.
Para quem sabe o que é mas não sabe quando é:
ZOMBIE WALK SP 2008
Data:
-->02/11/2008 (esse domingo!) Concentração: 15hs no vão do MASP (Av. Paulista)
Início: 17hs
Trajeto: Vê no site.
Traje: ZUMBI!
Quem não tem maquiagem ou tem e não sabe fazer normalmente a galera na concentração dá uma força nesse aspecto. O negócio é ir e se divertir. Pode até ir sem se fantasiar, mas garanto que daí perte 75% da graça.
17 outubro 2008
Capa de 'Predadores'
Finalmente fechamos a capa de meu novo livro, Predadores, a ser lançado em breve pelo selo Spectrum da Editora Multifoco:

Para quem quiser ver como ficou a capa completa, é só clicar na imagem abaixo:


Clica para ampliar.

Sim, eu sei, as letras estão pequenas. Segue abaixo o texto da quarta capa e das orelhas:
Quarta capa:
Existem dois tipos de pessoas: os predadores e as presas.Os seres humanos, em sua infinita pretensão, se imaginam no topo da cadeia alimentar simplesmente pelo fato de poderem raciocinar e terem um polegar inversor, o que lhes permite construir máquinas para suprir suas próprias limitações. Mas o corpo humano é imperfeito. Isso está cada vez mais claro à medida que os homens criam novos aparelhos que apenas os empurram para um sofá, onde se limitam a ver o tempo passar através de uma janela eletrônica, comendo comida processada e calórica, tornando-se criaturas decadentes e flácidas, muito diferentes da imagem poética que fazem de si próprios. São apenas as engrenagens, a força motriz, sem sentido ou direção.Mas nós, meu caro, nós operamos o mecanismo.Nós somos predadores.
Orelhas:
Dante é um repórter da noite à procura de realização pessoal e profissional que tem a tarefa de acompanhar a emergente Eva, uma promotora de casa noturna cujo principal interesse é ganhar uma maior exposição na mídia. Tudo isso muda no dia em que ela encontra Ian, um executivo recém-divorciado que, na crise da meia-idade, busca recuperar a juventude perdida.Pessoas comuns com histórias diversas que se entrecruzam no Vrykolakas, uma casa noturna no centro de São Paulo que esconde intrigas e armadilhas sob um véu de luzes e decadência. É o lugar onde Radu, o enigmático proprietário da casa, irá testar os limites morais e éticos de cada um até descobrir a que ponto eles estão dispostos a chegar para alcançar seus objetivos. Neste jogo doentio até os vencedores arriscarão perder a própria alma.Em seu segundo romance, Alexandre Heredia vai além dos conceitos delineados em O Legado de Bathory, narrando uma história atual que mistura vida, ambição e morte, com altas doses de sensualidade, em uma trama com a qual muitos irão se identificar – para o bem ou para o mal. Afinal, qual de nós poupa esforços na realização de seus maiores desejos?
Interessou? Espero que sim. O lançamento está agendado previamente para o dia 13/11, quinta feira, a partir das 19hs na Casa das Rosas, lá na av. Paulista. Assim que tiver o convite oficial coloco aqui, mas já vão reservando espaço em suas agendas.
Mais um. E que venham os próximos.
09 outubro 2008
O Velho e o Mar
Infelizmente não encontrei uma cópia com qualidade melhor ou com legendas, mas mesmo assim vale cada segundo desta magnífica adaptação de "O Velho e o Mar" de Ernest Hemingway, feita pelo russo Alexander Petrov em 1999, que usou uma técnica hoje considerada arcaica (ao menos pelos designers preguiçosos) de pintura a óleo com os dedos sobre uma placa de vidro para criar imagens deslumbrantes. Assistam que vale muito a pena.
Parte 1:
Parte 2:
Parte 1:
Parte 2:
01 outubro 2008
Maria Eduarda

Ela não chegou de mansinho. Chegou berrando, histérica, perdida, sozinha. Foi na noite em que eu, por alguma razão inexplicável, fui a um teatro fazer um teste para entrar na peça. Justo eu, que como ator sou um péssimo escritor. Encontrei-a encolhida apavorada debaixo de um carro no estacionamento do teatro. Chamei-a e ela veio correndo. Antes que eu pudesse pensar em qualquer temor besta ela já estava se aninhando em meu colo.
O teste foi engraçado por conta dela. Todos da trupe ajudaram a cuidar dela enquanto o teste transcorria, o que gerou cenas engraçadas mas que nada tinham a ver com a peça. Era ela, que com sua simples presença acendeu a todos. Brega, né? Mas quem tava lá se lembra.
Sem outra opção levei-a para casa. No caminho mesmo já havia percebido que minha vida havia sido tomada de assalto. Ela tinha me escolhido e vindo pra ficar. Sua recepção não poderia ter sido melhor. Em poucos minutos ela já havia se ajeitado. Tão pequena, tão indefesa, tomou conta da casa e transformou-a em seu lar.
Logo na primeira consulta veterinária recebemos um susto e um mistério. O susto: ela tinha caroços nas mamas, que precisariam ser operadas. Noventa e sete por cento de chance de eliminar tudo, disse a veterinária (uma ruivinha nanica toda sorridente, meio Felícia, manja?). O mistério: ela parecia filhote, mas câncer de mama não aparece em gatos com menos de 10 anos. Pela primeira vez na vida não vi apenas um, mas vários veterinários sem saber precisar a idade dela. O mistério perdura até hoje. A última estimativa é de que ela devia ter de um a dois anos de idade quando a encontramos, e que uma possível desnutrição tivesse adiado seu crescimento. Sei lá. Tanto faz. Ela cresceu um pouco ainda depois disso, então tudo bem.
Marcamos a cirurgia de castração e eliminação do câncer. Tudo correu bem, menos a recuperação. Mostrando o vigor da juventude misteriosa, foi difícil controlá-la. Tivemos que a levar algumas vezes de volta ao veterinário para refazer os curativos. Infelizmente descobrimos do pior jeito possível que havia um problema em sua cicatrização. Depois que os pontos foram retirados a cicatriz se abriu em alguns pontos. Foram semanas difíceis depois disso, mas conseguimos superar essa e ela ficou sem nenhuma seqüela.
Ela se tornou parte da vida em casa. Carente eterna, não abria mão de um colo. E entrar no colo para ela era um ritual que não devia ser interrompido. Começava com o cortejo, a olhada, a aproximação resoluta, o "amassar de pão" tão característicamente felino que para ela era quase um mantra, elevando-a para o conforto subseqüente. E quando ele vinha era pra durar. Coisa mais deliciosa ser seu colo.
E o nome? Incapaz de me decidir passei a responsabilidade para uma garotinha que encontrei certa vez num bar. Lembro-me de ficar intrigado ao ver uma garotinha tão tarde em um bar, mas depois me apresentaram sua mãe e a história do falecimento do pai da garotinha. Não sei porque lembrei disso agora, mas foi essa história que me fez decidir que seria a garotinha quem nomearia minha gata. Mostrei a ela uma foto no celular e ela bateu na cintura e me olhou com aquela cara de impaciência indignada tão comum em crianças inteligentes: "É óbvio! Maria Eduarda!". Pronto.
Bem que tentaram logo em seguida apelidá-la de "Duda", mas não pegou. Era Maria Eduarda mesmo. Dois nomes para quem há poucos dias não tinha nem proteínas suficientes para crescer direito. Isso é que é moral. Moral essa que logo se fez presente. Da doce e abandonada gatinha, Maria Eduarda, agora nomeada, tornou-se a dona da casa. Eram freqüentes as broncas quando chegávamos tarde e bêbados. As crises de ciúmes quando trazíamos mulheres para competir nossa atenção. As reclamações quando esquecíamos de manter seu prato cheio. Ela impunha essa moral, mas no final sempre dormia tranqüila em meu colo. Fosse a crise que fosse, um bom colo era a solução para tudo.
Aos poucos ela se acostumou com a falta de rotina aqui de casa. Ela percebeu que não conseguiria competir com uma vida social ativa e então se adaptou. Fez amizade com todo mundo que passou por aqui, sem distinções. Claro, se deu melhor com alguns do que com outros, mas nunca brigou com ninguém. E olha que não faltou motivo, hein?
Criativa, nunca elegeu um único lugar como seu canto. elegia um por duas, três semanas no máximo. Depois elegia outro. Seu último eleito foi a cadeira do computador. Isso mesmo depois que compramos a ela uma cama (que ficava no topo de um arranhador, para tentar salvar o que restava do sofá). Ela usou a cama. Por duas ou três semanas. Mas o arranhador ajudou bastante.
Tinha um olhar carinhoso, mesmo que certas vezes um tanto inquisidor, apesar de eu creditar essa impressão a uma possível consciência pesada de minha parte. Mas nunca com qualquer forma de julgamento. Era um olhar que transmitia uma cumplicidade, uma confiança mútua.
Confiança que foi posta à prova há cerca de um mês. Aqueles três por cento que a veterinária-Felícia havia omitido voltavam revigorados. Como é? Sim, o câncer havia voltado. Aquele mesmo câncer que só acometia gatas mais velhas. Uma quimioterapia estava fora de cogitação. Tinha que ser operada. O mais rápido possível. Riscos altíssimos de ela não resistir nem à cirurgia. Recuperação lenta e dolorosa.
Bom, resumindo a história para não remoer memórias amargas, ela não resistiu. Sobreviveu à cirurgia mas, depois de duas semanas de uma lenta e dolorosa recuperação, hoje à tarde ela desistiu de continuar lutando. Morreu sozinha na sala da casa que era seu lar. Não interessam os detalhes. Ela se foi, pouco mais de um ano após ter chegado. Deixou-nos com uma dor irreparável no coração. Deixou também as saudades. As noites solitárias acabam de se tornar muito mais solitárias.
Você foi uma alegria em nossas vidas, Maria Eduarda. Obrigado por tudo o que você fez pela gente. Nunca conseguiríamos recompensá-la o suficiente, nem com todos os frangos assados do mundo. Garanto.
Só nos desculpe pela tristeza. Infelizmente essa dor não vai poder ser solucionada te dando um colo.
Então, adeus.

P.S.: Gostaria de agradecer, além de todo mundo que se envolveu e se solidarizou nesses últimos dias, especialmente a Dra. Marília, do Instituto Dog Bakery, por todo o esforço em prol da recuperação da Maria Eduarda. Nós tentamos. Valeu.
25 setembro 2008
"Cobertura" da Bienal
Pra quem ainda não sabe, além de escrever livros também trabalho no canal FizTv. E o povo da produção do canal deu uma passada no stand da Alaúde na Bienal do Livro e fez a seguinte filmagem:
É, apresentação televisiva realmente não é minha praia. Mas valeu, especialmente pela presença especial de minha querida filhota no fundo.
Valeu, Wolf!
É, apresentação televisiva realmente não é minha praia. Mas valeu, especialmente pela presença especial de minha querida filhota no fundo.
Valeu, Wolf!
24 setembro 2008
Rascunhos Imponderados: Sexo

No final tudo se resume a sexo. Não tem jeito. Tudo o que fazemos, tudo o que almejamos, tudo o que realizamos é apenas para um único objetivo: transar.
Somos criaturas movimentadas a espasmos de orgasmo. Carreiras são construídas para que aumentemos nosso poder aquisitivo e, conseqüentemente, tenhamos condições de comprar carrões e artigos de ostentação com a meta de abrirmos o maior número de pernas possível. Saímos à noite com desculpas de amizade e socialização, mas o que queremos mesmo é encontrar alguém para bagunçar os lençóis com a gente. Olhamos em volta à procura de brechas nos vestuários que abram janelas às anatomias alheias. Puxamos conversa com completos desconhecidos como se estivéssemos apostando numa roleta, cujo prêmio virá em gemidos suarentos e trocas de secreções que em outra situação consideraríamos nojentas. Mas nunca são. Nunca, pois como já disse tudo no final se resume a sexo.
Esse papo de que buscamos parceiros, companheiros, etecétera e tal, é tudo asneira. Buscamos parceiros sexuais, potenciais procriadores e procriadoras. Receptáculos de nossa herança genética, mesmo que esta intenção tenha se deturpado ao ponto de que a prática é muito mais valorizada que a concepção propriamente dita. A humanidade é a única raça que faz sexo por prazer egoísta. Caso houvesse o mínimo risco de que a fêmea devorasse a cabeça do macho após o coito garanto que pensaríamos duas vezes antes de dar um tapa naquela gordinha que sobrou no final da festa. Se é para ser a última, que seja a melhor. Milhões morreriam virgens se seguíssemos este raciocínio, mas ao mesmo tempo daríamos saltos largos em termos de evolução.
Mas não é o caso. O caso é que transformamos o sexo de um mero ato reprodutório num objetivo dentro de si mesmo. A ironia disso tudo é que nos desesperamos quando conseguimos a fecundação. Ou seja, os humanos transformaram o fracasso em vitória e vice versa. É como um time que só comemora bolas na trave, apesar desta ser uma analogia potencialmente broxante. Está vendo? Pensamos em sexo até mesmo durante analogias futebolísticas. O tempo todo. Quer dizer, quase. O único momento que não pensamos em sexo é durante o ato. Pensamos em qualquer outra coisa, mas agora com o claro objetivo de estender o intercurso. Pensamos em coisas broxantes. Em contas a pagar. Em qualquer coisa menos no que estamos fazendo naquele exato momento. Até o dia que percebemos que nem isso é o suficiente. Aí descobrimos que a única maneira de adiar o êxtase é não só pensar em sexo, mas extrapolar o raciocínio. Racionalizar o fato de pensarmos em sexo.
- Hein?
- Nada não. Continua que está gostoso.
E não é que dá certo?
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Rascunhos Imponderados é o nome que dei a uma série de exercícios que imponho a mim mesmo de modo a superar bloqueios e manter a "máquina" lubrificada. É assim: alguém me passa um tema qualquer. Uma palavra, uma idéia, qualquer coisa. Dou-me quinze minutos para elaborar o que vou escrever e então uma hora no máximo para escrever um texto de até uma página A4. A maioria é impublicável, mas de vez em quando surgem pérolas como esta aí em cima, que divido com vocês. O tema foi sugerido por Lucimara Paiva, o que, sem sombra de dúvidas, ajudou muito na inspiração. Um beijo enorme, Lu.
23 setembro 2008
Criação de Antagonistas
Uma das críticas mais comuns que costumo receber sobre meu primeiro romance, o Legado de Bathory, é justamente sobre o quão raso foi o antagonista no meio de tantos personagens comparativamente muito mais tridimensionais. Dizem que falta a ele uma motivação clara, que sua presença parece jogada só para gerar uma crise, etc. Eu normalmente concordo com esta crítica. Realmente em uma análise superficial (ah, a ironia...) ele não tem uma motivação clara, e a explicação ao final também não é satisfatória. Mas eu normalmente volto o questionamento ao questionador e pergunto: E daí?
Quando estava esboçando a trama já tinha claro em minha cabeça apenas dois personagens: Yara e Laszlo. Os protagonistas. Daí, ao desenhar o antagonista, imaginei-o apenas como um maluco com sonhos de grandeza. Um sujeito delirante caçando fantasmas auto-infligidos. Ao ver isso, cometi um dos piores erros que um romancista pode cometer quando está criando um personagem: eu "forcei" uma motivação.
Sim, é isso mesmo o que estou dizendo. Ao forçar um motivo para suas atitudes eu acabei diluindo sua força como personagem. A tentativa patética de explicar tudo na derradeira cena é uma tentação demasiado grande, mas que deve ser evitada sempre. É o que costumo chamar de "final Scooby Doo". Não há motivos para o vilão explicar todo seu plano, todos seus objetivos nem aos protagonistas nem aos leitores. Por que não? Bem, vou usar dois exemplos recentes dos filmes para exemplificar melhor.
Um deles, é claro, vem do magnífico Coringa criado pelo finado ator Heath Ledger e pelos roteiristas David Goyer e Christopher Nolan para o recente blockbuster Batman: o Cavaleiro das Trevas. Não vou nem comentar a atuação impecável ou o roteiro bem amarrado, mas sim as cenas em que o Coringa "inventa" sua origem, cada vez de maneira completamente diversa. Não sabemos se alguma delas é verdade ou se nenhuma é! Isso cria uma sensação incômoda. Se não sabemos o que originou a crise, como poderemos resolvê-la? Por que aquele cara decidiu se vestir de palhaço e sair matando tanto mafiosos quanto policiais a seu bel prazer? "É tudo parte do plano", diz ele a certa altura, mas que plano é este? O que o levou a tomar a decisão de gerar o caos na vida dos protagonistas? Simplesmente porque sim? Há alguma outra motivação escondida? Nós, como seres calcados na racionalidade ficamos órfãos ao descobrir que este mistério é totalmente insolúvel. E isso acabou, em minha opinião, elevando o personagem de um patamar intrigante a um completamente assustador.
Outro exemplo é o recém lançado Violência Gratuita, refilmagem do clássico cult Funny Games de 1997 (escrito e dirigido em ambas as versões por Michael Haneke). Nele dois garotos jovens, limpos e bonitos atacam e torturam física e psicologicamente uma família sem nenhum motivo aparente. Coincidentemente há uma cena que remete bastante ao recurso utilizado pelo Coringa. Em certo momento as vítimas perguntam qual o motivo de tamanho suplício (no exato momento que nós, espectadores, também nos perguntamos) e um dos garotos desfia duas explicações completamente distintas. Ante a perplexidade da família (e nossa!) ele solta uma pergunta: "Quer que eu continue? Posso inventar outra". É uma cena desesperadora, mas incrivelmente coerente. Por que o "vilão" precisa se explicar à sua vítima? Para dar um alento ao seu sofrimento vindouro? Para tornar seu suplício mais "lógico"? Ou simplesmente para se justificar ou se desculpar? A verdade é que um antagonista pode até ter motivos para fazer o que faz, mas não precisa se justificar com ninguém!
Um bom vilão nem mesmo precisa ser um vilão. Um bom antagonista se acha o protagonista de sua própria trama. Ele acha sinceramente que está fazendo o que é certo de acordo com seus valores e julgamentos. Ele deve ser criado desta maneira. Na mente do escritor pode até existir um motivo, o que pode até adicionar profundidade ao personagem, mas essas motivações não precisam necessariamente ser explicadas num diálogo didático transcorrido convenientemente no momento de maior tensão da trama. A vida não se preocupa em fechar pontas soltas e às vezes tragédias ocorrem sem um sentido claro. A frustração faz parte da vida, então por que não também da ficção?
A criação de antagonistas tridimensionais e verossímeis somente ajuda na carga dramática da trama. Um vilão empático gera conflito do leitor/expectador, que em uma certa situação não sabe pra quem deve torcer, pois mesmo sem compreender completamente sabemos que DEVE haver uma razão para aquelas atitudes. Às vezes sabermos o quanto menos sobre a história a enriquecerá, pois criaremos uma miríade de possíveis explicações em nossas mentes. Qual será a certa? Existe uma explicação? Esse conflito é extremamente saudável, pois gera o que chamo de "releitura mental" do texto após o fim da leitura propriamente dita. Você revisa o que aconteceu, tenta tirar dali uma lógica, uma explicação, apenas para descobrir que aquela se tornou uma história inesquecível.
Sendo assim, não cometam o mesmo erro que cometi. Planejem bem seus antagonistas, talvez até mais que os protagonistas. E não se esqueçam desta única dica: um bom vilão acha que é o herói da história.
Quando estava esboçando a trama já tinha claro em minha cabeça apenas dois personagens: Yara e Laszlo. Os protagonistas. Daí, ao desenhar o antagonista, imaginei-o apenas como um maluco com sonhos de grandeza. Um sujeito delirante caçando fantasmas auto-infligidos. Ao ver isso, cometi um dos piores erros que um romancista pode cometer quando está criando um personagem: eu "forcei" uma motivação.
Sim, é isso mesmo o que estou dizendo. Ao forçar um motivo para suas atitudes eu acabei diluindo sua força como personagem. A tentativa patética de explicar tudo na derradeira cena é uma tentação demasiado grande, mas que deve ser evitada sempre. É o que costumo chamar de "final Scooby Doo". Não há motivos para o vilão explicar todo seu plano, todos seus objetivos nem aos protagonistas nem aos leitores. Por que não? Bem, vou usar dois exemplos recentes dos filmes para exemplificar melhor.
Um deles, é claro, vem do magnífico Coringa criado pelo finado ator Heath Ledger e pelos roteiristas David Goyer e Christopher Nolan para o recente blockbuster Batman: o Cavaleiro das Trevas. Não vou nem comentar a atuação impecável ou o roteiro bem amarrado, mas sim as cenas em que o Coringa "inventa" sua origem, cada vez de maneira completamente diversa. Não sabemos se alguma delas é verdade ou se nenhuma é! Isso cria uma sensação incômoda. Se não sabemos o que originou a crise, como poderemos resolvê-la? Por que aquele cara decidiu se vestir de palhaço e sair matando tanto mafiosos quanto policiais a seu bel prazer? "É tudo parte do plano", diz ele a certa altura, mas que plano é este? O que o levou a tomar a decisão de gerar o caos na vida dos protagonistas? Simplesmente porque sim? Há alguma outra motivação escondida? Nós, como seres calcados na racionalidade ficamos órfãos ao descobrir que este mistério é totalmente insolúvel. E isso acabou, em minha opinião, elevando o personagem de um patamar intrigante a um completamente assustador.
Outro exemplo é o recém lançado Violência Gratuita, refilmagem do clássico cult Funny Games de 1997 (escrito e dirigido em ambas as versões por Michael Haneke). Nele dois garotos jovens, limpos e bonitos atacam e torturam física e psicologicamente uma família sem nenhum motivo aparente. Coincidentemente há uma cena que remete bastante ao recurso utilizado pelo Coringa. Em certo momento as vítimas perguntam qual o motivo de tamanho suplício (no exato momento que nós, espectadores, também nos perguntamos) e um dos garotos desfia duas explicações completamente distintas. Ante a perplexidade da família (e nossa!) ele solta uma pergunta: "Quer que eu continue? Posso inventar outra". É uma cena desesperadora, mas incrivelmente coerente. Por que o "vilão" precisa se explicar à sua vítima? Para dar um alento ao seu sofrimento vindouro? Para tornar seu suplício mais "lógico"? Ou simplesmente para se justificar ou se desculpar? A verdade é que um antagonista pode até ter motivos para fazer o que faz, mas não precisa se justificar com ninguém!Um bom vilão nem mesmo precisa ser um vilão. Um bom antagonista se acha o protagonista de sua própria trama. Ele acha sinceramente que está fazendo o que é certo de acordo com seus valores e julgamentos. Ele deve ser criado desta maneira. Na mente do escritor pode até existir um motivo, o que pode até adicionar profundidade ao personagem, mas essas motivações não precisam necessariamente ser explicadas num diálogo didático transcorrido convenientemente no momento de maior tensão da trama. A vida não se preocupa em fechar pontas soltas e às vezes tragédias ocorrem sem um sentido claro. A frustração faz parte da vida, então por que não também da ficção?
A criação de antagonistas tridimensionais e verossímeis somente ajuda na carga dramática da trama. Um vilão empático gera conflito do leitor/expectador, que em uma certa situação não sabe pra quem deve torcer, pois mesmo sem compreender completamente sabemos que DEVE haver uma razão para aquelas atitudes. Às vezes sabermos o quanto menos sobre a história a enriquecerá, pois criaremos uma miríade de possíveis explicações em nossas mentes. Qual será a certa? Existe uma explicação? Esse conflito é extremamente saudável, pois gera o que chamo de "releitura mental" do texto após o fim da leitura propriamente dita. Você revisa o que aconteceu, tenta tirar dali uma lógica, uma explicação, apenas para descobrir que aquela se tornou uma história inesquecível.
Sendo assim, não cometam o mesmo erro que cometi. Planejem bem seus antagonistas, talvez até mais que os protagonistas. E não se esqueçam desta única dica: um bom vilão acha que é o herói da história.
10 setembro 2008
Passando o bastão
Como não estou num dia especialmente inspirado (devido a alguns acontecimentos deveras desagradáveis), segue uma pequena lista de textos interessantes que andei trombando por aí:
Viver da Escrita / Viver para a escrita
O eterno segredo de tostines.
30 mandamentos para ser leitor, escritor e crítico
Espetacular, especialmente a parte relativa à critica (uma atividade que começo a me dedicar).
O Prazer do Terror
Bastante elucidativo.
E, para finalizar, uma livraria que tem todos os livros do mundo, menos um. Em inglês.
Boa leitura.
Viver da Escrita / Viver para a escrita
O eterno segredo de tostines.
30 mandamentos para ser leitor, escritor e crítico
Espetacular, especialmente a parte relativa à critica (uma atividade que começo a me dedicar).
O Prazer do Terror
Bastante elucidativo.
E, para finalizar, uma livraria que tem todos os livros do mundo, menos um. Em inglês.
Boa leitura.
05 setembro 2008
Manifesto de um Solteiro Reincidente
Provavelmente vocês, bichos da cidade grande, não sabem direito qual o significado da palavra "arapuca". Pois bem de acordo com a Wikipedia:Arapuca (arataca ou urupuca) é um artefato, de origem indígena no Brasil, que consiste numa armadilha, feita de paus, com formato piramidal, e destinada a pegar vivos aves, pequenos mamíferos, ou outros animais de caça.É isso. Uma simples armadilha, normalmente usada para caçar passarinhos que serão logo em seguida enjaulados de modo a privatizar seu canto pelo resto de suas vidas.
Não sei vocês, mas sempre achei a imagem de uma passarinho preso numa gaiola deprimente. Uma criatura que foi feita para voar sendo obrigada a limitar-se num cubículo mínimo, sem chances de alçar alturas, entrar em mergulhos vertiginosos, piruetas, parafusos, loopings, etc. Ficam apenas lá, saltitando de poleiro em poleiro tristemente, sem perspectivas de recuperar a liberdade perdida, sempre correndo o risco do prego se soltar e derrubar a gaiola ou do gato da vizinha decidir fazer um lanchinho no meio da noite. Uma coisa triste. Por que razão um moleque faz uma coisa destas? Qual o motivo que justifica aprisionar uma criatura que nasceu livre, e cuja beleza reside justamente nesta liberdade?
Este preâmbulo ilustra justamente o fato de que eu, novamente solteiro após uma longa relação estável, venho observando nos relacionamentos interpessoais. Não que seja novidade, nada disso. Só estou analisando uma observação minha recente. Mas acho que muitos concordarão.
Desde que me separei ouvi inúmeras vezes pessoas perguntando, como se fosse algo inevitável, quando é que eu irei me enrolar de novo com alguém. Falam como se minha atual situação fosse uma aberração da natureza, algo impensável. Uma pessoa vivendo sozinha? Não, é impossível. Uma hora ou outra ele vai encontrar alguém e vai passar o resto da vida com esta pessoa.
"O RESTO DA VIDA"
Esta é a única frase que consegue arrancar arrepios em minha espinha e congelar minhas entranhas. É uma frase tão apocalíptica, tão definitiva, tão assustadoramente conformista que não consigo deixar de imaginar o pobre passarinho preso em sua gaiola pelo resto de sua existência. Triste, cabisbaixo, desolado. Morto em vida.
Claro, não estou querendo dizer que todo relacionamento é assim. Nem que eu esteja sendo radical ao ponto de sentenciar que nunca mais me envolverei com alguém. Isso seria estúpido. O lance é que cada vez mais vejo que estou sendo rotulado erroneamente pelo simples fato de eu ter escolhido, neste momento de minha vida, não me envolver profundamente com absolutamente ninguém. Desse modo vou tentar responder abaixo todos os argumentos que jogam em meu colo com uma freqüência enervante. Talvez assim eu me faça entender.
- Você é insensível/tem o coração fechado/frio/endurecido, etc.
- Com quem você irá passar sua velhice?
- Um dia você vai encontrar a tampa certa pra sua panela velha.
- Uma pessoa nunca pode ser feliz sozinha.
- Relacionamentos demandam sacrifícios. Você é egoísta demais!
Existem outras afirmações e questionamentos a este respeito, mas vou acabar caindo numa repetição maçante. O lance é o seguinte: caso eu venha a me enrolar com outra pessoa no futuro, será porque ambos QUEREM se envolver, nunca porque PRECISAM. Ninguém precisa de uma companheira ou companheiro para garantir a felicidade, do mesmo modo que um moleque não precisa aprisionar um passarinho cuja atração inicial foi exatamente sua liberdade. Já passou da hora de derrubarmos esse mito. Ser solteiro pode ser tão ou até mais legal do que ser casado. Se você acha que sua felicidade depende exclusivamente de encontrar uma pessoa que vai passar o resto de sua vida ao seu lado (brrr...), tudo bem. Eu respeito isso. Desde que você respeite minha vontade de permanecer solteiro sem rancor, inveja ou outra merda qualquer que só vai servir para encher nossos respectivos sacos.
E tenho dito.
02 setembro 2008
Referências Cruzadas
Recebi no último final de semana a seguinte mensagem:
Eu quem agradeço a utilização de meu material em sua aula, Marcelo. É extremamente gratificante ver seu trabalho reconhecido não apenas no próprio meio, mas em todas as esferas da produção cultural. Espero sinceramente que minha singela contribuição ajude seus alunos a realizar boas obras num mercado tão carente de criatividade quanto o nosso.
Para quem não se lembra do texto citado, é só clicar aqui.
"Olá, Alexandre.
Sou produtor de Vídeo e tenho uma escola de produção para cinema e tv em Blumenau - SC. Estava pesquisando a respeito de criação de personagens, tema de minha aula de amanhã (sábado) e tive a sorte de encontrar sua publicação sobre o tema. Tenho meu próprio método de criação de personagens para meus curtas e para os programas de tv que eu produzo, mas eu gostaria de mostrar aos meus alunos um outro método, já que não existem regras à respeito. Quero te parabenizar pela clareza de suas elucidações. Serão de grande valia para a minha galera de futuros produtores de filmes, programas de tv e outras produções.
Obrigado por sua contribuição.
Um abraço do colega...
Marcelo Niess"
Para quem não se lembra do texto citado, é só clicar aqui.
26 agosto 2008
O Pior Corintiano de Todos os Tempos
Dizem que todo corintiano é fanático. É mentira. E eu estou aqui para contradizer este preconceito a nós, corintianos não praticantes!
Eu nunca fui num estádio para assistir qualquer coisa diferente de shows de rock. Nunca. Nunca sonhei em ser jogador de futebol. Jamais. Era grosso. Tinha duas pernas direitas e só chutava com a esquerda. Fui obrigado a jogar futebol no colégio como alternativa à educação física e, em nove anos de campeonatos anuais, fiz apenas UM mísero gol. Contra! E eu eu era ponta esquerda!
Nunca me esgoelei na frente da televisão em final de campeonato. Nunca tive pôster com o time parecendo uma trupe prestes a ser fuzilada em minha parede. Nem emblema ou escudo (sempre achei aquela âncora de um mau gosto grotesco), nada. Eu nunca tive sequer uma camisa do corinthians!
Não sei qual a escalação do time, não tenho nenhum ídolo na história do clube, não sei nem quando vai ser o próximo jogo, muito menos contra quem. Não derramo lágrimas em vitórias ou derrotas, nunca fui comemorar na paulista, porra nenhuma. Sempre fui um péssimo corintiano.
Pronto, falei.
Só precisava desabafar mesmo.
Valeu.
(Texto escrito entre o segundo e o terceiro gols do Corínthians na vitória contra o Gama, que peguei por acaso zapeando na TV)
(Putz, saiu mais um enquanto eu revisava! Vai Timão!)
Eu nunca fui num estádio para assistir qualquer coisa diferente de shows de rock. Nunca. Nunca sonhei em ser jogador de futebol. Jamais. Era grosso. Tinha duas pernas direitas e só chutava com a esquerda. Fui obrigado a jogar futebol no colégio como alternativa à educação física e, em nove anos de campeonatos anuais, fiz apenas UM mísero gol. Contra! E eu eu era ponta esquerda!
Nunca me esgoelei na frente da televisão em final de campeonato. Nunca tive pôster com o time parecendo uma trupe prestes a ser fuzilada em minha parede. Nem emblema ou escudo (sempre achei aquela âncora de um mau gosto grotesco), nada. Eu nunca tive sequer uma camisa do corinthians!
Não sei qual a escalação do time, não tenho nenhum ídolo na história do clube, não sei nem quando vai ser o próximo jogo, muito menos contra quem. Não derramo lágrimas em vitórias ou derrotas, nunca fui comemorar na paulista, porra nenhuma. Sempre fui um péssimo corintiano.
Pronto, falei.
Só precisava desabafar mesmo.
Valeu.
(Texto escrito entre o segundo e o terceiro gols do Corínthians na vitória contra o Gama, que peguei por acaso zapeando na TV)
(Putz, saiu mais um enquanto eu revisava! Vai Timão!)
19 agosto 2008
20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Voltando aqui rapidinho apenas para convidá-los a participar da vigésima edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo.Eu e os outros autores da Coleção Necrópole estaremos lá, autografando e batendo um papo com leitores e amigos, no dia 23/8 (próximo sábado) a partir das 19hs no estande da Editora Alaúde.
Conto com a presença de todos!
Grande abraço.
07 agosto 2008
Reinações de um Egonauta
Saiu hoje uma entrevista que dei para o site Cranik. Um trechinho:
Para ler na íntegra, é só clicar aqui.
Em termos de mercado editorial o cenário está um pouco melhor agora do que estava há dois ou três anos. Hoje vemos mais editoras investindo nos novos autores e procurando a nova “geração XX”, não só na literatura “convencional”, mas também na chamada “de gênero”. Mas não pense que por conta disso será uma tarefa fácil ver seu trabalho publicado. E não deve ser mesmo! Sou favorável a uma seleção rígida de trabalhos a serem transformados em livro. Tem muita gente aí querendo publicar seus textos apenas para massagear seus egos e poder declarar nas mesas de boteco que são “escritores”. Acho isso desrespeitoso para autores que se preocupam não apenas em publicar, mas em criar obras sérias, relevantes, bem escritas, originais e, acima de tudo, que contribuam para o avanço da literatura.
Para ler na íntegra, é só clicar aqui.
05 agosto 2008
[CURSO] Literatura Paulista - Tradição e modernidade: Confluências
Dou uma passadinha aqui só para divulgar este excelente curso:LITERATURA PAULISTA
TRADIÇÃO E MODERNIDADE: CONFLUÊNCIAS
TRADIÇÃO E MODERNIDADE: CONFLUÊNCIAS
PROFESSORA E ORGANIZADORA: MARIANA ESTEVAM
ESCRITOR CONVIDADO: JOÃO SILVÉRIO TREVISAN
PERÍODO: 13 /08/2008 a 29/08/2008
HORÁRIO: das 18h às 21h
Local: INSTITUTO DO LEGISLATIVO PAULISTA
INSCRIÇÕES NA INTERNET: www.al.sp.gov.br, no link do ILP
Objetivos
A proposta é fornecer elementos essenciais para o conhecimento da evolução da literatura paulista produzida desde o século XVI aos dias atuais, bem como colaborar para que cada participante, ao final do curso, possa ter uma visão de conjunto da literatura paulista; conheça a história e a cultura paulista através dos textos; leia os textos prazerosamente e tenha um contato maior com as obras; integre a literatura paulista na sua cultura pessoal; desenvolva a sua capacidade crítica.
Conteúdo Resumido
- Apresentação dos conceitos básicos de literatura, lingüística, língua e linguagem.
- Aspectos da literatura paulista e noção das particularidades da história de São Paulo.
- Interação literatura-história e os paradoxos: SP – o 1º poema e o 1° romance brasileiros.
- Panorama histórico: marcas do pensamento filosófico na literatura (século XVI aos dias atuais) - Caracterização das especificidades estilísticas dos diversos períodos do discurso literário.
- Produção literária "paulista" em dois tempos: a tradição dos séculos XVI ao XIX, com os respectivos nomes convencionais – da Literatura de Informação ao Romance Naturalista.
- As idéias fora do lugar: reflexão sobre a disparidade entre a sociedade brasileira, escravista, e as idéias do liberalismo europeu.
- Romantismo paulista: a deselegância discreta das meninas de São Paulo e a influência da Faculdade de Direito do Largo São Francisco.
- Produção literária paulista no segundo tempo: dos Pré-Modernismo ao dias atuais, com os nomes convencionais e com os extraordinários.
- A vida no interior de São Paulo e a vida noturna da Capital.
- A Paulicéia Desvairada – La Divina Increnca.
- Do Brás, Bexiga e Barra Funda à Praça Roosevelt e ao Capão Pecado.
- As Marginais, os Marginalizados e os Periféricos – As raízes e o desenvolvimento: as confluências da literatura paulista.
- ILP tem sua noite de sarau – talentos entre a prata da casa e os ilustres freqüentadores do ILP
Justificativa
Em linhas gerais, cada obra literária tem sua gênese intrinsecamente relacionada a uma série de fatores circunstanciais que interferem na constituição do texto, a acontecimentos e condições materiais existentes que possibilitam a elaboração e publicação do texto.
Partindo-se desse pressuposto, para estudar a produção literária paulista, torna-se conveniente iniciar por uma panorâmica das condições sócio-culturais do Estado de São Paulo, a fim de tentar compreender o cenário que lhe confere determinada realidade.
Metodologia
Aulas expositivas seguidas de leitura e discussão de textos literários dos autores selecionados; exibição de filmes (documentários ou ficção) de curta duração, ou de fragmentos de filmes baseados em obras literárias. Sempre que possível, e para ampliar as discussões sobre literatura paulista, serão incorporados exemplos de outras artes (música, cinema, pintura, escultura, etc.).
A avaliação será realizada por meio de um trabalho escrito sobre um tema relacionado a questões discutidas em aula. Entrega: a combinar. É necessária a presença em, pelo menos, 75% das aulas.
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Eu já participei de um curso ministrado pela querida Mariana neste mesmo espaço e recomendo.
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