23 fevereiro 2007

Confetes e serpentinas pisoteados pelo salão


  • Sei que prometi que voltava ontem, mas calma. Muita calma. Alguns gongos em minha cabeça ainda não pararam de reverberar.
  • Não, não é a tão aguardada punição divina pela diversão exacerbada, vulgo 'ressaqueira'. Antes fosse, meus camaradas, antes fosse...
  • O carnaval foi um lixo.
  • Tá, sei que nunca fui grande fã da data, mas normalmente dá para salvar o feriadão com um programa alternativo, algo obscuro, misterioso, daqueles que você conta na mesa de bar e as pessoas ouvem num misto de incredulidade e inveja mal disfarçada.
  • Só que neste caso a inveja vai ficar pro ano que vem.
  • Prometo que conto como foi no próximo INEUS.
  • Que, aliás, não rolou esta semana, infelizmente.
  • Mas o feriado não foi uma perda total.
  • Fui assistir ao ótimo Borat.
  • (que algum energúmeno estragou o subtítulo "traduzido" inserindo uma piada cretina que não é citada em momento algum da comédia)
  • Recomendo.
  • Vá preparado para judiar da poltrona do cinema enquanto rola de rir.
  • Fora isso, mais nada.
  • Foi um feriado chato pra burro.
  • Pelo menos para mim.
  • Agora fico aqui, misturado entre os confetes e serpentinas largados no salão.
  • Esperando a vassourada final.
  • Olha ela aí!
  • ...

16 fevereiro 2007

Arrefecendo os tamborins!

Na boa, quero que o Carnaval se lasque!

Quanto mais longe eu conseguir ficar de Desfile de Escolas de Samba, Blocos de Rua, Bailes, Lecy Brandão, confetes, serpentinas, sarongues e o escambau, melhor.

Desaparecerei durante o feriado.

Destino: desconhecido.

Volto na quinta.

Ou não.

Ah, enquanto isso, leiam o texto novo do blogue do Psicopata Enrustido.

Nada a ver com carnaval.

Mas e daí?

Eu também não tenho.

Abraços a todos e até quinta!

13 fevereiro 2007

Nova Mídia?

Daniel Galera, em seu novo blogue Jogatina vive se referindo aos jogos modernos de videogame como uma "nova mídia" a ser levada em conta na hora de narrarmos uma história interessante. É uma perpectiva tentadora, especialmente para mim, viciado em games e em boas histórias, sejam elas contadas em qualquer mídia (livros, cinema, rádio, televisão, quadrinhos, bulas de remédio...). Confesso que muitas vezes me supreendi com o enredo de certos jogos, pensando na razão destes mesmos jogos não migrarem para veículos menos interativos.

Claro, todos nós nos decepcionamos quando vimos essa migração finalmente ocorrer (citando alguns de cabeça: Resident Evil, Alone in the Dark, Bloodrayne, Doom...), em grande parte por culpa de roteiristas pouco familiarizados com os jogos adaptados e diretores incompetentes (alguém casse a licença do tal Uwe Boll antes que ele acabe com um de meus jogos favoritos, Postal!). Mas, se analisarmos friamente, o problema das adaptações de games para os cinemas cai no mesmo problema da adaptação de livros: são mídias completamente diferentes. Não há como comparar.

Um filme tem uma duração média de 2 horas. Um game com história (RPGs, adventures, essas coisas) pode levar de 12 a 200 horas para ser finalizado. Não tem como condensar tudo isso em uma trama simplificada sem sacrificar alguma coisa. E neste sacrifício invariavelmente algo valioso se perde, e a obra fica aquela coisa sem gosto que testemunhamos. Para cada Senhor dos Anéis que encontramos somos obrigados a engolir mais de uma dúzia de bobagens inassistíveis.

E qual seria o caminho do meio?

Uma grata surpresa foi quando botei as mãos no inovador jogo da Atari para PC e PS2, Indigo Prophecy (ou Fahrenheit, na Europa). Ele é um game, sim, mas não é um game apenas. É quase um filme interativo. Diálogos bem trabalhados, cenas bem definidas, edição vanguardista, trilha sonora incidental, uma trama bem amarrada... Tudo isso com a vantagem de que o jogador tem a capacidade de participar da trama, auxiliando os personagens (sim, você comanda mais de um) a superar os obstáculos, tomar decisões que influenciarão o desenrolar da história, essas coisas.

Na trama acompanhamos o destino de Lucas Kane, um cara comum que certa noite surta e mata uma pessoa no banheiro de uma lanchonete. Sem entender o que o levou a cometer tal ato, Lucas precisa investigar os fatos que culminaram naquele momento trágico e inexplicável de sua vida. Ao mesmo tempo acompanhamos os detetives Carla Valenti e Tyler na investigação do crime.

O foco narrativo (sim, tem isso!) varia constantemente entre estes personagens principais, gerando uma imensa contradição na mente do jogador. Ao mesmo tempo em que tentamos ajudar Lucas a desvendar seu mistério e fugir da polícia, ajudamos a polícia a perseguí-lo. Esta contradição é tão bem entremeada à narrativa que nos pegamos várias vezes torcendo por lados opostos na história. E, surpreendentemente, funciona muito bem!

Os desafios do jogo variam dos óbvios esforços físicos (desviar de carros, lutar contra policiais, se equilibrar em muretas, etc) até os mais inteligentes, como saber quais perguntas fazer a um suspeito antes que o tempo se esgote ou resolver enigmas imaginativos. E mesmo a história seguindo uma trama central bem definida é interessante ver que cada decisão tomada no seu desenrolar influencia os fatos a seguir.

Claro, o game tem diversas falhas. Os gráficos são meio antiquados, mesmo com uma placa de video mais parruda; a jogabilidade, apesar de bastante inovadora, ainda é muito engessada em certos pontos, obrigando o usuário de PC a adquirir um joypad de PS2 para conseguir jogar a contento; os movimentos de câmera são confusos e chegam a atrapalhar em alguns momentos, essas coisas. Mas o importante é que o jogo deu uma boa sacudida no gênero, demonstrando que há sim uma nova mídia por aí. E que o futuro pode estar nesta brecha ainda pouco explorada.

Vale a pena prestar atenção à esta evolução.

12 fevereiro 2007

ACHEI!


Tá, ninguém sabia o que eu estava procurando, mas e daí? O importante é que eu achei!

Contradizendo o que eu mesmo escrevi, encontrei minha inspiração da maneira mais absurda possível: logo depois de assistir ao nhem-nhem-nhem do Rocky Balboa. Poisé, nem eu acreditei. Voltei para casa, lembrei que precisava ir na farmácia (às 3 da manhã) e durante o trajeto (ouvindo música no último volume) pimba!, surgiu a idéia que eu precisava para começar o meu roteiro.

Agora é mãos à obra! O pessoal que vai realizar a peça precisa do roteiro o quanto antes, pois os planos são de encená-la até o final do ano. E ninguém gosta de um escritor prima donna que atrasa tudo atrás de inspiração.

Relaxem então, pessoal. A parte mais complicada já saiu. Ainda tenho trabalho duro pela frente, mas muito mais fácil de resolver.

Ah, também ajudou muito a releitura da crônica da Lucimara Paiva ("desVIrtuaDA") que faz parte do livro Soltando o Verbo (2006, Ed. Nova Esfera). Livro este que virou um blogue muito interessante e que este escrevinhador de merda meio que patrocina (eu adaptei o templeite...).

Valeu, Lu! A próxima rodada é por minha conta!

09 fevereiro 2007

A melhor do dia...

... vai com louvores para Mr. Mason, do blogue Cocadaboa, pelo cruel (e hilário) título de seu último post, que referencia a notícia da morte da modelo-playmate-comedora-de-velinhos-milionários Anna Nicole Smith:
Hoje é dia de festa no IML!
O pôste em si nem foi tão engraçado, mas o título é antológico.

Mitomanias Piauienses

A excelente Revista Piauí lançou um concurso literário bem condizente com a estratégia de inovação da publicação. Todo mês será proposta uma frase sem pé nem cabeça que os candidatos deverão encaixar em qualquer parte de seu texto. O melhor do mês será publicado na revista.

A frase deste mês é: "Mas Alice, eu já disse que não sou mitômano!"

(Não sabe o que é mitômano, limítrofe? Procura no dicionário, ô pá!)

Claro que eu não poderia deixar de participar de um desafio destes. Caso esteja interessado em ler o meu texto concorrente, clique aqui em cima e em seguida role a tela para baixo. Não tem linque direto, desculpe, e talvez seja necessário mais de um clique para encontrá-lo. Mas ele está lá. É só procurar.

Quem quiser participar também, boa sorte!

Quem não quiser, por favor ao menos torça por mim!

07 fevereiro 2007

A via sacra da inspiração

Não tem jeito: todo escritor que se digne a ser chamado assim um dia reclamará da falta de inspiração. É algo natural, típico dos seres humanos. Um dia estamos inspirados, fazemos de tudo e ainda sorrimos. No outro não estamos para nada, queremos mais que o dia termine logo. É normal, é humano, é tudo isso.

Mas escritores não podem depender de inspiração.

Claro que a frase aí em cima pode ser considerada uma contradição até mesmo ofensiva para uma classe que, por bem ou por mal, é considerada artística. Claro que não estou falando de jornalistas ou escritores de livros técnicos, mas de nós, ficcionistas. Pessoas que lidam com histórias de outros, que contam mentiras deslavadas com o único propósito de entreter (já discuti sobre a relevância da produção literária em outra ocasião, mas agora não interessa). Como então criar (me perdoem os puristas) Arte sem inspiração?

Não é fácil, sou obrigado a concordar. Um texto ficcional normalmente surge de uma fagulha ínfima. É aquela coisa que te pega quando você menos espera (e justo quando você não tem um bloco e uma caneta à mão!). Esta fagulha, claro, é a inspiração. É o ponto de partida para um texto. Infelizmente não temos como controlar a inspiração. É algo que simplesmente... acontece!

Será mesmo?

Como já disse no pôste anterior estou atolado de projetos literários. Alguns são relativamente simples, outros completamente inexplorados. Mas todos tem um prazo. E pessoas envolvidas no resultado. Estarão elas dispostas a aguardar que me surja a inspiração necessária para cumprir a tarefa? Ou mesmo aceitar qualquer porcaria que eu decidir escrever apenas para honrar minha promessa? É claro que não!

Um artista normalmente é alguém arredio. Até mesmo os mais prolíficos. É alguém que se revolta com a pressão dos prazos. Acha que por conta disso está pasteurizando sua obra, está se tornando banal, descartável. É um risco real. Mas não vem realmente ao caso pensar nisso. Não ainda. A hora é de criar. Depois retiramos as arestas.

A inspiração pode sim ser invocada. Não, não vou falar de rituais xamânicos ou sugerir a visita a terreiros de umbanda, apesar de que se isso ajudar não há contra indicações. Como ateu convicto prefiro depender apenas de mim mesmo.

Invocar a inspiração é quase um exercício de meditação, mas ao invés do Nirvana (o estado de espírito, não a banda) você está buscando o tema de seu próximo texto. Separe um pouco de seu tempo para isso. Concentre-se. Faça um brainstorm solitário. O ideal é se livrar das influências externas (música, televisão, internet, telefone, etc). Tá, uma musiquinha pode até ajudar alguns. Fica de seu gosto pessoal. O importante é focalizar a mente em seu objetivo. Esqueça contas atrasadas, problemas de família, discussões com o chefe, tudo. Isso já está em seu subconsciente, vai entrar no texto se for necessário sem que você precise pensar a respeito. Relaxe. E tenha um bloco e uma caneta à mão.

Relaxou? Então agora faça a si mesmo a seguinte pergunta: O que eu quero escrever? Parece óbvio, mas é fácil para um escritor perder seu objetivo em nome de uma produção constante. Retome isso neste momento de reflexão. Responda a si mesmo de forma clara e objetiva. Abrace o mundo com uma frase concisa. Sintetize seus sentimentos com relação a sua carreira literária. Destile suas idéias. Já fez? Agora pergunte a si mesmo: Como faço para alcançar este objetivo? Este é o momento mais complicado. Não esmoreça agora. Não pense na história. Não ainda. Pense no 'como', não no 'o que'. Se você conseguir descobrir a resposta para esta questão os personagens e a trama se desfiarão quase naturalmente. Pode experimentar.

Eu costumo fazar este exercício no carro. Desligo o rádio e aproveito a morosidade do trânsito para libertar minha criatividade. Gero e descarto idéias a esmo. Anoto frases, trechos de pensamento, essas coisas. Raramente leio o que escrevo no bloquinho. É apenas um catalizador do pensamento, uma maneira de registrar algo fulgaz, etéreo. Quando a inspiração chegar (e sempre chega, pode crer) é importante escrever ao menos o primeiro tratamento do texto logo em seguida. Chegue em casa e vá para o computador. Escreva o que está fervilhando na sua mente. Não deixe a idéia morrer. Aproveite o impulso e despeje tudo de uma vez. Depois, com calma, pegue o texto bruto e lapide-o aos poucos. Você vai ver como a coisa anda.

Se essas dicas não funcionarem, bem, sempre há a alternativa de um bom porre num bar cheio de amigos.

Se este for o seu caso, não se esqueça que hoje à partir das 18:30hs teremos mais um INEUS lá no Villa Amadeu (R. 13 de maio, 1802, do lado do Shopping Paulista). Venha tomar conosco uma caipirinha de salsinha, resultado da soma de um acidente com uma inspiração alucinada na última edição.

Como podem perceber, imperdível.

(Este texto foi escrito graças à seguinte linha de raciocínio: O que eu quero escrever? Um convite para o INEUS. Como faço para alcançar este objetivo? Um texto meio metalingüístico, meio tutorial de auto-ajuda. Saiu isso aí que você acabou de ler.)

05 fevereiro 2007

Eu, meu snowboard e a avalanche logo atrás

Não, eu nunca pratiquei snowboard. Sequer vi neve (geada conta?). O título é uma metáfora ruim, só isso.

Vou falar uma coisa para vocês: que começo de ano! São tantos projetos aparecendo que duvido que eu consiga honrá-los como deveria. Listando:

As novidades:
  • Escrever um conto para o próximo livro (surpresa...);
  • Finalizar o conto para o próximo zine (não acharam que morreu, acharam?);
  • Elaborar o conto para o próximo blogue (sim, mais um!);
  • Finalizar de uma vez por todas o último romance (é o terceiro!);
  • Começar a escrever o próximo romance (que já está escorrendo para fora de minhas orelhas);
  • Escrever um roteiro que me encomendaram (é sério!);
  • Estudar como fazer roteiros de teatro, já que nunca escrevi um (pois é...);
  • Tentar manter um resquício de sanidade no processo (apenas o suficiente para evitar uma internação);
Enquanto isso não posso esquecer os compromissos já assumidos:
  • Escrever aqui com a maior freqüência possível;
  • Ajudar os amigos com os templeites de seus blogues;
  • Comparecer toda quarta feira no INEUS*.
E, além de tudo isso, por incrível que pareça, preciso trabalhar 8hs por dia num escritório.

Sei que é cliché, mas a verdade é que cansei de ser pobre.


* INEUS Não É Um Sarau

02 fevereiro 2007

31 janeiro 2007

Estocadas matinais*

Poisé, morreu o Sidney Sheldon.

Não, nunca fui seu fã. Não sei, não me ligava. Mas o cara teve grandes méritos. Se não academicamente literários, ao menos era um cara prolífico e criativo. Deixou sua marca, e isso é o que vale.

Vai na boa, Sidnão.

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Dica do Sérgio Rodrigues, do Todoprosa: Uma matéria na página do Travel Channel cujo título já instiga uma leitura: The Literary Guide to the World - Destination: Brazil (acesso livre). Não é nada, não é nada, ao menos dá pra levar algum assunto para a mesa do boteco.

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Por falar em boteco, hoje tem o famigerado INEUS ("INEUS Não É Um Sarau!") lá no Villa Amadeu (R. 13 de maio, 1802) à partir das 18:30hs. Apareçam por lá para falar de literatura, cultura útil e inútil, projetos e bobagens afins. Já sabem!

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Aproveitando o tema, a Carla Rodrigues, do Contemporânea, coloca em xeque a célebre máxima do Millôr que professa que intelectual não vai à praia, intelectual bebe. Eu discordo da Carla, mas apenas em seus argumentos. Pô, argumentar que intelectual não precisa abrir mão de coisas como "contato com a natureza, o bem-estar com o corpo e a harmonia com o ambiente" é uma coisa muito careta. Desculpe, mas sou do tempo que as pessoas que pensavam eram sujas, bêbadas e malditas. E não ligavam a mínima para o próprio corpo. Só o de outrem (!). E, além disso, São Paulo não tem praia!

Pena que a Carlinha (me permite esta intimidade?) está em Búzios. Adoraria discorrer sobre este assunto com ela no INEUS de hoje. Com uma caipirinha de Nega Fulô e uma porção de calabresa frita no colesterol puro.

Mas fica o convite. Toda quarta feira estamos lá.


* o melhor remédio para a dureza matutina.

29 janeiro 2007

A Cidade Perdida

Vou evitar comentar cinematograficamente o filme de Andy Garcia, A Cidade Perdida (EUA, 2006, disponível em DVD) pois não tenho o conhecimento técnico e a bagagem crítica para tanto, apesar de haverem falhas grotescas até mesmo para um espectador leigo como eu. A edição é confusa, os diálogos pedantes, a trama arrastada, a extensão exagerada... Mas isso não vem realmente ao caso. Não mesmo. Se fosse apenas um filme ruim seria algo que você assiste e depois de duas horas e meia percebe que perdeu apenas 150 minutos de vida, o que, convenhamos, nem é muito (principalmente se compararamos a um livro ruim, por exemplo). Não, o fato do filme ser um péssimo entretenimento nem o abona tanto. O grande problema é a falta de respeito flagrante que o ator/diretor/co-roteirista nos joga na cara. Falta de respeito com a luta contra a opressão que tomou conta da América Latina nas décadas de 50 e 60. Falta de respeito com as vítimas diretas e indiretas dos confrontos. Mas pior que tudo isso, falta de respeito com a História e com seus personagens, utilizando um pseudo discurso moralista e demagogo que com certeza faria George W. Bush aplaudir de pé.

Retratando a vida de uma família de classe abastada de Cuba durante revolução que derrubou a ditadura militar (1952-59), Garcia faz questão de mostrar em sua obra que a luta não passou de um delírio maniqueísta da burguesia cubana, tendo o povo sido apenas um mero coadjuvante na derrocada do ditador Fulgêncio Batista (1901-73), retratado estereotipadamente na trama como um egomaníaco afetado e com delírios de grandeza (até mesmo o sidekick capacho está lá). Sob a ótica alienada de Garcia a revolução foi em todos os aspectos um remédio pior que a doença, e seus protagonistas (notoriamente Fidel Castro e Ernesto "Che" Guevara) não passaram de assassinos cruéis e descontrolados, beirando a sociopatia completa. O filme mostra o aspecto "bárbaro" dos revolucionários cenas sem a menor sutileza, com a clara intenção de diminuir os envolvidos, como por exemplo na cena onde vemos Fidel ser taxado de manipulador ao discursar com uma pomba branca nos ombros ("Guano", diz o personagem de Bill Murray, no pior papel de sua carreira) ou quando testemunhamos o "sanguinário" Comandate Guevara atirando friamente na cabeça de um militar ferido em uma emboscada, argumentando logo em seguida que "os fins justificam os meios". Mais raso, impossível.

Independente da visão que o ator/diretor/co-roteirista desta bomba possa ter da Revolução Cubana vemos que sua intenção nunca foi a de fazer um registro histórico imparcial ou mesmo denunciativo das atrocidades que aconteceram posteriormente à tomada do poder por Fidel Castro (como no infinitamente superior Antes do Anoitecer de Julian Schnabel). Sua intenção foi a de claramente demonizar todos seus envolvidos, desde Batista e seus asseclas apatetados até os militares corruptos, a polícia ineficiente, os guerrilheiros limítrofes e, sobretudo, o povo ignorante. Apenas o protagonista Federico Fellove (Garcia), dono de uma boate que não se rende à máfia (resumida a uma ponta medíocre do decadente Dustin Hoffman), parece perceber o que acontece ao seu redor, o que o leva a fugir da ilha em busca de um lugar onde ele tenha mais liberdade (sim, ele vai para Nova Iorque...), abandonando a família e o grande amor de sua vida (sua cunhada viúva, num dos incontáveis clichês utilizados). Lá ele terá que sobreviver como puder até que a complacente Terra da Oportunidade se abra para ele (sim, isso acontece...). É de uma auto-indulgência enojante.

É uma pena ver uma reunião de elenco tão talentosa ser desperdiçada desta maneira. Triste ver atores do calibre de Bill Murray e Dustin Hoffmann serem sub-utilizados como papagaios-de-pirata (referência geográfica involuntária) em uma produção medíocre e mal conduzida como esta. Se eu tinha algum respeito pelo ator Andy Garcia este respeito se liqüefez ao conhecer suas facetas como diretor e roteirista. Uma decepção completa.

26 janeiro 2007

Rapidinha...

Então, só para avisar que tem texto novo no Psicopata Enrustido.

Sumi, sim, mas é por uma péssima causa.

Um dia eu explico.

22 janeiro 2007

Legendas: respeito é bom e me gusta mucho!


É complicado assistir TV a cabo. Li numa análise uma vez (não lembro onde) que TV a cabo é um mal necessário, que sem ela a vida seria muito pior. Ignorando o alarmismo e levando em conta a "qualidade" da TV aberta nos últimos anos percebemos claramente que este raciocínio é muito relevante.

Mas venhamos e convenhamos: os canais de TV a cabo estão muito longe do profissionalismo condizente com o que pagamos pelo serviço. Inúmeras repetições (principalmente nos canais de filmes e documentários), propagandas intermináveis e que se repetem no mesmo bloco duas ou três vezes (GNT e People+Arts, vocês estão quase perdendo um espectador!), ajuste do volume irregular (A Fox é campeã em me dar sustos) e grade confusa são alguns dos problemas. CSI (Sony) passa às terças ou às quintas? Em que hora? E Scrubs (Sony)? House (Universal Channel) é às 23hs ou às 23:30? Que dia passa American Inventor (Sony, a campeã!)? Alguém aqui agüenta assistir mais episódios reprisados d'Os Simpsons (Fox)? Que dia passam The Family Guy (Fox) ou American Dad (Fox)?

E a qualidade das legendas então? É uma coisa grotesca. Alguns erros são tão bisonhos que é difícil acreditar que seja feita ao menos UMA revisão no que é inserido. Fora os problemas de falta de sincronia, legendas que desaparecem ou invadem os comerciais, caracteres estranhos, textos em um portunhol medonho... O Bruno Carvalho, do blog Falando Série, em conjunto com o saite Séries Etc. do portal Globo.com passaram uma semana compilando os erros mais grotescos, listados na matéria (que você pode ler clicando aqui). Sugiro muito a leitura tanto da matéria quanto do pôste a respeito colocado com muita propriedade pelo Bruno em seu blogue.

Perceber a quantidade de erros nas legendas é uma experiência frustrante, além de caracterizar claramente uma postura desrespeitosa com os telespectadores que, diferente da TV aberta, PAGAM pelo conteúdo que recebem. E não pagam pouco! Será que é assim tão difícil garantir a qualidade dos textos? Será que é algo tão complicado que não mereça ao menos um pouquinho de atenção das empresas que mantém estes canais? Não, se lembrarmos da qualidade das legendas feitas por páginas independentes e sem fins lucrativos (como as que legendam, por exemplo, os episódios do Lost que ainda não passaram por aqui e que eu não me lembro dos endereços). Mesmo os caras não ganhando um mísero centavo pelo trabalho o resultado é infinitamente superior ao dos ditos profissionais do ramo. E incrivelmente mais rápido! Ou seja, toda vez que você vir uma garatuja como as listadas na matéria do Bruno Carvalho pode ter certeza que está testemunhando um atestado de incompetência de ao menos duas empresas envolvidas no processo de legendagem e transmissão dos programas.

Pode parecer um assunto fútil, mas não é assim não. TV a cabo é caro. E eu gosto de receber qualidade pelos serviços adquiridos. Se as operadoras de canais a cabo não perceberem isso o caldo vai entornar logo, logo.

Aliás, já passou da hora.

18 janeiro 2007

Duas em um

Não é de hoje que os portais de notícias vêm se especializando em notícias de relevância não apenas duvidosa, mas de flagrante inutilidade para qualquer ser humano que deseje ser assim denominado. Notícias como "Fulana é vista tirando catota do nariz" ou "Cicrano agita festa e pega todas longe da namorada" são de uma imbecilidade tão grotesca que quase chegam ao ponto de fazer a lembrança dos quarenta minutos de transmissão do nascimento da Sasha em pleno Jornal Nacional parecerem menos irritantes. Quase.

Mas esta foi demais. Estava hoje no portal Terra:

Primeiro a chamada para o "genial" video (não assisti) de um bêbado implicando com um ventilador(!). Me lembrou daquele episódio dos Simpsons em que o Homer passa mal de rir ao assistir um filme intitulado "Homem que leva uma bolada no saco". É de uma inteligência tão assombrosa que aposto que se Johnny Knoxville (do "programa" Jackass) visse ia morrer de vergonha. E isso não é pouca coisa!

Mas não era o suficiente. Logo ao lado vemos a chamada para mais uma daquelas matérias típicas de revistas femininas acéfalas (e digo isso das revistas E das leitoras, bem entendido), em que o(a) genial redator(a) não percebeu o ato falho da pretensa gracinha publicada. Um autêntico tiro no pé jornalístico. Não entrei na matéria, mas se fosse escrita por mim ela teria apenas uma palavra: "Casamento". Ué, não era isso?

Não é por nada não. Acho até divertido procurar por bizarrices na internet. Mas até aí ceder espaço útil em um canal de informações não é um pouco de irresponsabilidade demais? Que credibilidade podemos ter em uma página que veicula notícias verdadeiramente importantes junto com "videos de macacos atirando cocô em turistas no Suriname"? Um pouco mais de profissionalismo vai bem, meus amigos!

Ah, caso ainda não tenham lido uma matéria que escrevi (quase) a este respeito no Observatório da Imprensa, clique aqui em cima.

17 janeiro 2007

Eu Não Acredito que Não é Um Sarau!

Pois pode acreditar, meu filho.

Não é um sarau. O que é ainda não sabemos, mas vai acontecer de novo hoje (quarta-feira) lá no Villa Amadeu (R. 13 de maio, 1082, a duas quadras do Shopping Paulista). Começa às 18:30hs e vai até o último escritor embriagado e inconveniente.

Apareçam para conversar, beber, comer, fumar, paquerar, tietar e, se calhar, ler uns textos.

Mas que não é um sarau, isso não é mesmo!

E tenho dito.