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18 julho 2008

Mais Wall-E

Vou aproveitar que todo mundo está embasbacado com a estréia de Batman: O Cavaleiro das Trevas e o lançamento do trailer oficial de Watchmen e falar de algo completamente diferente.

Ontem estava tentando convencer meu pai a assistir no cinema a nova animação da Pixar, WALL-E quando me lembrei de uma coisa importante. Claro, se você já assistiu ao filme ou se não assistiu mas não vive numa câmara hiperbárica enterrada em um bunker de chumbo já deve ter ouvido falar que a inspiração para o robozinho do filme é uma mistura de E.T. (aquele do Spielberg) com o Johnny nº5 de Um Robô em Curto Circuito (Short Circuit, 1986). Não discordo que fisicamente a relação é bastante óbvia, como é possível ver na montagem abaixo:



Mas e quanto ao personagem em si? É possível encontrar semelhanças nas histórias dos personagens também (a aventura extraplanetária de ET e a "personalidade" de Johnny nº5) mas acho que esta seja uma abordagem simplista. A essência do personagem da animação da Disney não está simplesmente na máquina ou na aventura espacial. Wall-E é um personagem primal, uma força simples e essencialmente PURA. Em sua realidade não há necessidade de malícia, interesses mesquinhos ou ganância. Wall-E é um robô lixeiro completamente sozinho num planeta em ruínas. A única motivação que ele possui (antes da chegada da sonda EVE, é claro) é uma curiosidade incontrolável. Apesar de ter adquirido quase que uma "alma", seus raciocínios são lógicos, racionais. Afinal de contas não nos esqueçamos que ele é um robô. E, graças a essa pureza, todos os personagens que se relacionam com ele posteriormente na história tem sua percepção da realidade mudada drasticamente, mesmo que esta nunca seja sua intenção.

Nesta abordagem, acho que o pequeno Wall-E se assemelha muito mais a um outro personagem do cinema. Não, não é o Vagabundo de Chaplin como já li em alguns lugares. Para mim a maior semelhança é com Chance Gardener, personagem retratado no filme Muito Além do Jardim (Being There, 1979) pelo genial Peter Sellers.

Hã?

Pois é. É a hora de me chamar de louco. Mas vou tentar explicar: O filme conta a história de um jardineiro meio autista abrigado na mansão de um velho senhor. Quando seu benfeitor morre ele é obrigado a cair no mundo real e conviver com a crueldade, a ganância e a manipulação humana. Estranhamente, devido a sua pureza e simplicidade, suas idéias e analogias (ele sempre compara algo a um exemplo em seu perdido jardim) são consideradas extremamente visionárias. Lentamente Chance começa a mudar a vida de todos com quem ele se relaciona, seja por sua pureza ou seja apenas por instilar idéias simples para solucionar problemas complicados. O mais interessante é que ele não faz idéia do efeito que causa às pessoas. Ele simplesmente é assim porque não sabe ser de outra maneira. Ele é autêntico, uma força natural de pureza e completamente desprovido de malícia.

Compare agora com a descrição que fiz de Wall-E alguns parágrafos atrás.

Captou?

Para mim esta é a real essência que tornou ambos os personagens tão marcantes. Nas duas histórias vemos párias (um robô e um autista) mostrando a nós, humanos "normais", uma realidade que deixamos de ver desde que deixamos de lado a pureza e a inocência da infância. Esta é a mensagem, de que a humanidade tem esperança apesar de tudo (mensagem deixada bem claro na magnífica homenagem à humanidade e sua arte nos créditos finais de Wall-E). É uma mensagem poderosa, corajosa e, por que não?, diametralmente diferente da visão cínica que a ficção anda criando da humanidade nas últimas décadas. São filmes que te deixam leve, feliz, contente por ser humano.

E isso não é pouca coisa.

Vejam o trailer:



Algumas coincidências:

1) "Gardener" não é realmente seu sobrenome, ele apenas se apresenta como "Chance, the gardener" ou "Chance, o jardineiro" e as pessoas naturalmente assumem este como seu sobrenome. Já WALL-E é o acrônimo para "Waste Allocation Load Lifter - Earth Class", ou, em tradução livre, "Compactador e Empilhador de Lixo - Classe Terrestre". Ou seja, ambos os personagens tem nomes que denunciam suas ocupações.

2) "Chance" é "acaso" em inglês. "Wall" é "muro" ou "parede". Novamente nomes que tem relação direta com os personagens.

3) A trilha sonora usada no trailer é Also Sprach Zarathrustra, de Richard Strauss. Esta mesma música também está presente na trilha sonora de Wall-E. Em ambos os casos é uma referência à famosa "cena dos macacos" em 2001: Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odissey, 1968), de Stanley Kubrick.

16 julho 2008

Novos Hobbies

E não, não estou falando do lançamento de uma nova linha de Escorts populares ou do engano da Carla Perez ("Azul!"). Estou falando daquelas atividades que fazemos apenas pelo prazer de fazê-las (!).

Há algum tempo meu principal hobby era, é claro, escrever. Era uma atividade despretensiosa, lúdica, divertida, etcétera e tal. Daí veio a vontade de não apenas escrever, mas também ser lido. O resto (ainda) é história. Hoje escrever já não é mais um hobby, mas uma atividade remunerada, que só não é minha atividade principal por conta dos rendimentos ainda insuficientes. Mas é questão de tempo.

Acontece que a evolução de minha carreira como escritor criou um problema: se escrever já não era mais um hobby, o que eu poderia fazer para preencher meus momentos de descanso? Qual atividade poderia me proporcionar o relaxamento necessário sem que eu tivesse que me preocupar com cobranças e prazos além dos auto-impostos? Claro, minha primeira opção foi o sexo, mas este é o tipo de atividade que necessita de consentimento de uma parceira (fixa ou ocasional), o que pode gerar conflitos de agenda e tabelinhas. Ainda curto a prática (ou, como uma amiga minha se refere, o "treino para se fazer bebês") mas eu precisava de alguma coisa pra fazer nos dias em que ninguém quer dar pra mim.

Daí descobri a arte do Papercraft.

Acho que todo mundo com mais de 25 anos já fez isso alguma vez na vida, nem que fosse apenas recortando a parte de trás das caixas de Sucrilhos. Eu nem sabia que isso tinha nome. É a arte de criar brinquedos ou esculturas apenas com papel, tesoura e cola (não, caro frutinha, papier-marché é outra coisa).

E tem mais: descobri também que há uma infinidade de páginas dedicadas a essa prática. É escolher o brinquedo, baixar o PDF com as peças, imprimir e se divertir. O mais completo quer encontrei é este aqui, mas é só procurar que dá pra encontrar um monte por aí.

Foi nesta página que encontrei o modelo para a construção de um dos personagens mais legais dos últimos tempos, o robozinho Wall-E. Sendo a montagem relativamente simples, baixei o PDF, imprimi e coloquei as mãos à obra. O resultado você vê abaixo:

Resolução e foco ruins por conta de uma câmera vagabunda de um celular idem.

Legal, né? Também curti. Agora fiquei viciado nessa porcaria! Já baixei e imprimi os modelos para a construção do Tumbler (ou batmóvel-tanque para os não iniciados). São OITO páginas de peças e mais uma só com transparências (para as janelas). Vai dar um trabalhão. Para fins de comparação, o Wall-E aí em cima é apenas uma página e eu levei 3 horas para finalizá-lo.

Mas sou teimoso. Quando (ou se) eu terminá-lo coloco aqui uma foto. Quem quiser tentar também os modelos estão aqui.

Mãos à obra!