23 julho 2007

Teste

Só para ver se essa porcaria de envio por email funciona.

(Embedded image moved to file: pic05097.jpg)


Se não aparecer a foto, sinta-se um(a) felizardo(a).

Se apareceu, babau, negão...


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21 julho 2007

Desculpas Rotas e Esfarrapadas

Mais uma vez venho aqui cheio de dedos explicar uma ausência inexplicável, tanto aqui quanto lá no Psicopata Enrustido. Mas desta vez não sou o causador do desaparecimento. Sou a vítima.

Primeiro pois simplesmente BLOQUEARAM o acesso a todas as páginas do Blogger no escritório. Acabou, babau. Mais um pouco e eles bloqueiam também o acesso ao Google.

Ok, mas eu poderia simplesmente enviar os textos de casa, certo?

Errado.

Infelizmente o computador de casa deu pane novamente. Das grossas. A coisa está feia. Estou escrevendo isso de um micro emprestado. Entrei para fazer apenas 3 coisinha e já vou sair:

1) Escrever essa desculpinha esfarrapada;

2) Configurar o envio de textos via email. Espero que desta maneira eu consiga resolver o problema;

3) Colocar o video abaixo, que encontrei sem querer e curti bastante (mesmo o narrador sendo daqueles cariocas da gema):



É isso. Vamos ver se a coisa funciona e eu consigo burlar o Homem mais uma vez.

PS1: O Meme Literário abaixo deu o que falar. Sigam os linques e vejam por si próprios.

PS2: Por conta deste bloqueio e apagão internético não vou conseguir ler os comentários, mas fiquem a vontade para fazê-los. Assim que der eu leio.

PS3: Tá caro. Muito caro ainda...

13 julho 2007

Meme Literário: Entrei de bico!


Descobrir que não é um cara muito popular pelo fato de NUNCA me convidarem para um meme literário é triste. Tudo bem, não sou o blogueiro mais assíduo do mundo, não escrevo diariamente, não atualizo o Psicopata Enrustido como deveria, essas coisas. Mas não é por essa razão que vocês da dita "blogosfera" (denominação tão cretina quanto o famigerado "internauta") precisam me ignorar tanto assim.

Não, não estou carente nem preciso comprar um cachorro. Me deixa!

O lance é depois que vi lá no Rosebud é o trenó e no Hedonismos dois pôstes com esse meme que pede que o blogueiro (aaaaaahhh!) liste seus 5 livros favoritos eu afiei meu ego literato e fiquei morrendo de vontade de ser chamado.

Não fui.

Então como o importante na vida é não passar vontade, listo aqui os tais livros. Atropelei mesmo e quero que se foda. Não sou bom em fazer essas coisas de listas e garanto que se fizer outra daqui a alguns meses os títulos irão variar. Não interessa. Listas não devem ser coisas cimentadas e nenhuma verdade é absoluta. Clássicos envelhecem e nascem todos os dias. Só basta procurá-los. E chega de papo.


Pergunte ao Pó - John Fante
Esqueçam o filme. Sério. Assistam mas esqueçam. Não há como rivalizar a experiência de acompanhar as primeiras desventuras de Arturo Bandini e Camilla Lopez em Bunker Hill se não for direto na fonte. Uma narrativa sincera, deliciosamente melancólica, com uma poesia implícita tão forte que é difícil não se emocionar. Fante é uma das muitas referências que usei para criar o Psicopata Enrustido, especialmente este pôste aqui. Leiam Fante. Não irão se arrepender.




Factotum - Charles Bukowski
Este foi o primeiro livro que li do Velho Safado e o que mais me marcou. A crônica rasgada, escatológica, quase pornográfica de Bukowski assusta numa primeira leitura, mas a minha recomendação é que você leia com a mente aberta, sem preconceitos. Por mais "mundo cão" que sejam as histórias de Henry Chinaski (alter ego de Bukowski) é possível enxergar ali uma mensagem até otimista, repleta de poética e, ironicamente, amor à vida. Especialmente seus excessos. Bukowski é foda. Ah, e neste caso o filme é animal.



O Jardim do Diabo - Luis Fernando Veríssimo
Já não considero os textos de Veríssimo a unanimidade que um dia considerei. Mas esta primeira incursão do cronista no mundo dos romances é uma obra prima. Humor ácido, metalinguagem e um ritmo delicioso fazem deste um dos poucos livros que volta e meia me pego relendo. Uma lição para escritores. Se precisar escolher apenas um livro do Veríssimo para ler, leia esse sem pensar duas vezes.






O Orador dos Mortos - Orson Scott Card
É estranho colocar uma continuação numa lista, mas este livro merece. Seqüência do já excelente Ender's Game (que aqui foi traduzido bizonhamente como O Jogo do Exterminador) ele narra as andanças de Andrew "Ender" Wiggin, o protagonista genocida-por-acaso do primeiro livro, cuja missão auto-infligida é espalhar a mensagem de paz das criaturas que ele ajudou a exterminar. Um libelo anti guerra como poucos. Curiosidade: o cenário da trama é uma colônia BRASILEIRA num planeta chamado Lusitânia. Ironia pouca é bobagem.



Matadouro 5 - Kurt Vonnegut
Este eu conheci completamente por acaso. Precisava ler e estava duro. Comprei o livro num Carrefour e paguei com vale alimentação. Juro. E nunca fiquei tão feliz por tê-lo feito. Vonnegut é um dos melhores satiristas que eu já li e este livro é a sua obra prima. Seu humor é tão ácido que você se sente até um pouco culpado por rir. Novamente um libelo anti guerra, mas narrado de uma maneira tão original que é preciso ler muito nas entrelinhas para conseguir compreender completamente. Altamente recomendável.



E como um meme não é apenas sobre responder ao desafio, seguem abaixo os convites para os próximos desafiados:

Camila Fernandes e o seu Demo Sentado Em Meu Ombro.
Cristina Lasaitis e a sua Sinfonia para Narciso.
Dóris Fleury, da Turma da Groselha.
Luciana Muniz e o seu The Shadow of the Moon.

E finalmente, para não dizerem que só escolhi mulheres:

Jean Canesqui e sua recém lançada Oficina do Diabo.

Lembrem-se, galera: tem que escrever a lista (devidamente justificada) e depois convidar outros 5 blogueiros.

Bom trabalho!

03 julho 2007

A Prova Fotográfica

"Faz logo essa PORRA de foto!"

A foto acima foi tirada durante a crise de dor narrada no pôste anterior. Reparem o sorriso forçado e com os dentes rilhados, além da tipóia improvisada e a qualidade do meu "analgésico". Ainda bem que eu estava entre amigos, ou então teria que passar a noite num abrigo de mendigos.

Mas não só de traumas foi feito o final de semana. Houve vários momentos inspirados, a maioria graças a uma mente fértil somados a um barril, como pode-se atestar pelas fotos abaixo:

Chaves Metaleiro?


Pulo ou não pulo?


Ganha um tapa quem NÃO sacar a referência.


E que venham os próximos, com braço contundido ou não.

02 julho 2007

Meu momento Tri-Lambda

Não me recordo qual dos filmes dos nerds tem essa cena (me ajudem!) mas acho que é em Os Nerds Saem de Férias, logo no começo, quando o personagem de Anthony Edwards (muitos anos antes de E.R.) diz que não ia viajar com a trupe pois estava com os dois braços quebrados após uma "jogada arriscada" durante uma partida de XADREZ!

Hilário, eu sei. E completamente improvável, certo?

Mais ou menos.

Este final de semana estavamos eu e a galera em um sítio em Itatiba, curtindo um monte quando, no final da tarde, durante uma prosaica partida de truco, eu distendi o braço esquerdo!

Não me perguntem como. Não sei também como consegui essa proeza. Só sei que de uma hora para outra eu estava urrando de dor. Coisa horrorosa de se ver. Saí atrás de algum analgésico qualquer, mas ninguém tinha nem uma mísera aspirina disponível. Em desespero fiz uma tipóia com um lençol (valeu, Ballico!) e parti para a solução medieval: vodka. Meia garrafa depois, com a dor ainda incomodando, surgiu a Ritinha com um comprimido de PROFLAM (relaxante muscular) não sei de onde. Minha única pergunta: "Pode misturar com álcool?". Ela disse que achava que sim. Foi o suficiente. Engoli o comprimido com a vodka mesmo.

O ministério da saúde adverte: Não faça isso em casa. Não seja idiota. Faça no seu vizinho.

Desnecessário comentar que alguns minutos depois eu já estava inutilizado, tal qual uma geléia vencida esquecida num fundo de armário. A dor passou, isso é certo, mas era impossível me distinguir de um bicho atropelado de beira de estrada.

Graças aos amigos consegui voltar são e salvo pra casa. Hoje a dor já diminuiu o suficiente para trabalhar (droga!) e até dirigir. Mas foi um final de viagem bastante trash, até mesmo para os meus padrões.

A boa notícia é que o final de semana gerou alguns videos hilários, que nos próximos dias pretendo editar e colocar no YouTube.

Fiquem ligados.

29 junho 2007

Nota de falecimento


Mais uma excelente iniciativa morre na praia da internet brasileira, vítima de inanição. O aglutinador de blogues NoMinimo fechou hoje definitivamente suas portas, para tristeza não só de seus colaboradores e leitores, mas também de todos aqueles que valorizam um conteúdo inteligente e de qualidade.

Durante os últimos anos o NoMinimo foi um porto seguro quando eu queria ler algo descompromissado, mas com algo a acrescentar, nem que fosse apenas um pequeno sorriso de canto de boca. Escritores e leitores encontravam nos excelentes textos de Sérgio Rodrigues motivos para enaltecer a literatura, dentro de seu espaço Todoprosa (citado por aqui diversas vezes). Cinéfilos que buscavam fontes pouco ortodoxas de informações sabiam que sempre podiam contar com a irreverência de Ricardo Calil no seu delicioso Olha Só. Malandros e boêmios se encontravam nas divertidas crônicas de Xico Sá dentro do Ponte Aérea/SP. Isso sem contar o passeio pelas bizarrices desencavadas por Luiz Antonio Ryff no Nonsense ou a relevância improvável de Daniel Galera dentro do Jogatina. Tinha outros, mas me alongo desnecessariamente.

É triste ver um espaço com tanto a oferecer ao faminto internauta brasileiro desaparecer por conta de um motivo tão fútil. Quero dizer, fútil para nós, leitores abandonados, pois todos sabemos que sem dinheiro não se vive, e mesmo o mais intelectual dos intelectuais sabe que suas idéias só valerão alguma coisa caso coloquem comida na mesa. Não me julgue mesquinho. É difícil ser inteligente e sagaz com o estômago interrompendo cada raciocínio.

Ainda é uma grande barreira a ser quebrada esse lance da capitalização do conteúdo. Não há uma saída óbvia. Até mesmo os maiores especialistas divergem a respeito. Produzir conteúdo de qualidade é caro e trabalhoso. Quem vai pagar essa conta? Com certeza não serão anúncios do Google. Isso é dinheiro de pinga. A gente não quer só comida, como diria Arnaldo Antunes. Se um portal com mais de 3 milhões de leitores mensais (números deles) não consegue, qual o horizonte para blogueiros independentes como nós?

É difícil ter esperanças com uma notícia destas. Mas ao mesmo tempo que enxugamos as lágrimas pelo falecido vemos uma outra notícia que reacende a chama que pensávamos ter sido há muito apagada. Há esperança sim, caros leitores. Só temos que procurar com mais afinco.

Infelizmente, não será mais dentro do NoMinimo.

Descansa em paz, véio!

P.S.: Alguns dos blogueiros decidiram continuar seus textos por conta própria em blogues pessoais (e não-remunerados). A maioria ainda não está no ar, mas vale a pena se informar quando estiverem.

21 junho 2007

Dois pelo preço de um!


Barganha!

Tem texto novo lá no blogue do Psicopata Enrustido.

E, coincidentemente, hoje também é o dia que sai mais um texto meu no blogue do Novas Visões de São Paulo.

Mas atenção:

Não aceito devoluções.

(Essa é para os que reclamaram que ando escrevendo pouco. Unf!)

19 junho 2007

Elementar, meu asno Watson!

Olhem só que interessante.

Estava eu navegando tranqüilamente pelo blogue da Débora Fortes, no Portal Info Exame (para quem não se lembra, além de escritor sou analista de sistemas) quando me deparo com a interessante notícia: Um carregador universal de baterias sem fios!

Legal a idéia, né? Eu também gostei. E fiquei com a mesma pulga atrás da orelha que a Débora: como esse treco funciona? Sou assim mesmo. Quando não entendo alguma coisa fico meio obcecado pelo tema até descobrir.

O mais engraçado foi que a resposta veio logo em seguida, totalmente sem querer. Tá lá no MeioBit, num pôste do Ricardo Bicalho: WiTricity - transmissão de energia sem fio.


Tá, um é o anúncio de um produto de uma empresa. O outro é o anúncio de uma pesquisa realizada pelo MIT. Pode até ser que não haja nenhum tipo de correlação entre um e outro e tudo não passe de uma viagem de minha cabeça insone. Mas que a coincidência é grande demais para não ser citada, isso lá é.

E agora, de volta a nossa programação habitual.

04 junho 2007

Vacas Anoréxicas

Não, este pôste não é sobre o mundo féxion ou mesmo uma crítica aos hábitos alimentares das somalis desfilantes. Não, nada disso. É outra coisa. Mas, pra variar, me adianto.

Sabe aquele tipo de encontro que vez por outra aparece nos seriados e shows de "realidade" chamado speed dating? Claro que sabe. Mas vou aceitar seu fingimento e vou explicar. Speed dating é uma estratégia cretina que alguns bares estadunidenses inventaram para atrair solteiros involuntariamente inveterados. O esquema é o seguinte: pega-se um determinado número de encalh... solteiras e um igual número de punhet... solteiros. Digamos 15 potenciais casais. Daí colocamos as desesper... solteiras sentadas e distribuímos fichinhas de avaliação a todos. Cada perded... solteiro terá então três minutos per capita para pavonear seus minguados dotes às mocré... solteiras. Ao final de um circuito completo as fichas são recolhidas e comparadas. Caso alguma afinidade seja detectada um novo encontro é agendado (que, eu espero, tenha mais do que 3 minutos). É isso. Eu sei, é imbecil demais para ser levado a sério. Não culpe o mensageiro.

Agora alguém por favor me explique esta notícia que saiu no Yahoo! News (acesso livre, em inglês) que dá conta que por lá a nova onda é utilizar esse formato "inovador" não apenas para desencalhar sociopatas crônicos, mas também como forma de apresentar idéias de romances para editoras! Sim, você leu certo. Troque "solteiras" por "editoras" e "solteiros" por "escritores" no parágrafo acima e você terá um Speed Dating Literário!

Agora, convenhamos! Se já é muito difícil (para não dizer impossível) conhecer uma pessoa em apenas três minutos de exposição, o que se dirá de uma obra! Isso sem contar a clara desvantagem da modalidade literária em termos de comprometimento. Pois seria mais algo como um speed engaging ("noivado relâmpago", em tradução livre), já que no caso dos pretensos namorados nada impede que já no segundo encontro ambos percebam que aqueles três minutos foram na verdade uma propaganda enganosa e nunca mais se encontrem. Já em sua contraparte "literária" é como se já se firmasse um pré-contrato. E com certeza uma recusa posterior sairá bem mais cara do que o custo de um cinema e (quiçá!) um motelzinho.

O problema é que o negócio literário não anda bom para ninguém (com exceção das livrarias, claro). Editores e escritores ainda não encontraram uma solução para suprir a demanda exorbitante de lançamentos. Há milhares de escritores inéditos tentando ver seus trabalhos publicados. Os editores reclamam da falta de qualidade dos originais. Os escritores reclamam do corporativismo das editoras. Estas se defendem dizendo que o custo de produção é muito alto e o retorno arriscado. Os escritores esperneiam, choram, fazem bico. As livrarias dão risadas obesas. E com isso nós, as vacas literárias, morremos de inanição (viu como consegui chegar na analogia pretendida?).

Que algo precisa ser feito para melhorar esta situação isso é claro. Mas, da mesma maneira que tenho dúvidas da eficácia dos tais speed datings na construção de relacionamentos, duvido que a versão literária algum dia nos proporcione a ascensão de um novo clássico da literatura. Pode parecer um comentário cínico, mas...

Bom, é cínico mesmo.

"Quer publicar seu livro? Depende. Você engole?"

29 maio 2007

Prêmio de Consolação à Fidelidade

Para compensar minha ausência para meus poucos (mas queridos) leitores, segue abaixo uma maneira simples de descontar as frustrações, principalmente quando o alvo é assim tão específico:


10 maio 2007

After After Darwin

Ontem fui junto com a Cristina Lasaitis assistir à leitura da peça After Darwin, que estreará em breve, junto com a exposição de mesmo tema que será inaugurada no MASP.

A peça realmente promete. Didática e divertida, usando e abusando de metalinguagens e de atuações por vezes um pouco over, mas nada que estrague. O mais interessante é que o texto instiga discussões acaloradas e diversas, tais como os limites da ética, da intervenção teológica em contraponto com a visão científica, do fatores socio-culturais e além. Quando estrear, não percam.

O chato aconteceu depois. Fui idiota e muquirana o suficiente para deixar meu carro na rua. Todos que moram nesta cidade desgraçada sabem que deixar o carro na região da Paulista é no mínimo certeza de dor de cabeça. Claro, eu não fugi do clichê. Assim que entrei no carro notei que algo estava muito errado. Porta-luvas escancarado, todo seu conteúdo espalhado pelo carro, os bancos bi-partidos deitados, as tranqueiras do porta-malas espalhadas, coisa e tal. Estranhei que o rádio ainda estava lá (eu tinha levado a frente comigo). Liguei o carro e saí dali. Só fui fazer um inventário preciso mais tarde. E, para minha total e completa surpresa, descobri que as únicas coisas que estavam faltando no carro eram os dois exemplares da Coleção Necrópole que eu sempre carrego comigo para casos de necessidade (tipo alguém não acreditar que sou escritor).

Então você, ladrãozinho mequetrefe desta cidade maldita, caso um dia chegue até este meu blogue, saiba que tenho esperanças que você ao menos tenha roubado estes livros pois se interessou pelo conteúdo, e não com o intuito de trocar por pedras numa boca do lixo qualquer. Não tenho ilusões que minha obra irá despertar uma reação catártica ou uma epifania qualquer em sua cabeça limítrofe, mas torço veementemente que estes sejam apenas os primeiros de muitos livros que você lerá, e que este hábito se entranhará em sua rotina diária e transformará sua vida de tal maneira que você nunca mais necessitará arrombar e invadir a propriedade alheia atrás de alguma coisa qualquer que, espero, servirá apenas para aplacar algum tipo de desespero primal.

E já considere-se convidado para o lançamento de meus próximos livros. Pode ir. Faço questão de te dar um livro autografado DE PRESENTE. Não é armadilha, não. É sério.

Te espero lá.

09 maio 2007

Papa-gaiadas

Em homenagem à chegada do Nazi-Papa em terras tupiniquins, republico aqui um texto que escrevi na ocasião de sua eleição.

Ah, caso ninguém se lembre (faz tempo...) o nome de batismo de Palpati... quero dizer, Bento XVI é Joseph Ratzinger.

Dito isso, o texto:

O Conclave

© Alexandre Heredia

O velho cardeal recebeu o último voto. Sentia as juntas doloridas, mas sabia que precisava terminar o serviço. O mundo, afinal de contas, estava aguardando por um novo Papa. Leu a cédula, e finalizou a votação.

- Que Sua Eminência, o Cardeal da Inglaterra, se apresente.

Um surpreso cardeal inglês se ergueu. Chegou a ser empurrado em direção ao púlpito. Claramente aquela não era uma posição desejada, mas infelizmente era necessária, principalmente naquele período negro para a fé cristã que era esse início de milênio. Além disso, o próximo Papa teria como concorrente forte a imagem carismática do antecessor. Era como ser o último a se apresentar em um Concurso de Talentos, logo depois de um mágico. Nunca iria agradar.

O inglês sentou-se na cadeira em frente ao púlpito. Um bispo cansado aproximou-se. Em suas mãos, sobre uma almofada de veludo, o Chapéu. Se assemelhava a um chapéu de Papa, mas era velho e gasto. Também era a última prova.

O chapéu foi colocado com reverência sobre a cabeça do candidato. Um silêncio sepulcral se abateu por toda Capela Sistina, quebrado apenas pela tosse discreta de algum cardeal. Passaram-se um, dois minutos e nada. Até que finalmente ouviu-se um murmúrio. O chapéu tremeu de leve ao ser finalmente possuído pelo Espírito Santo. Faltava apenas uma coisa para que o novo Papa fosse escolhido. Todos, indiscriminadamente, aguçaram seus ouvidos.

- Sonserina! - gritou o chapéu. Vários se assustaram com o tom imperativo, mas logo em seguida alguns chegaram a rir.

O velho cardeal que presidia a votação desabou na cadeira. Com um gesto ordenou que o capelão entrasse e pediu-lhe que acendesse a fumaça preta. Em seguida, pediu aos presentes que iniciassem uma nova votação.

Os procedimentos se repetiram. Os votos foram escritos, recolhidos e contados. Novamente, o velho cardeal se dirigiu aos presentes.

- Que Sua Eminência, o Cardeal do Brasil, se apresente.

Desta vez o cardeal eleito levantou-se rapidamente. Um sorriso estúpido estampava seu rosto, mas era algo que indubitavelmente trazia simpatia. E simpatia, pensou o velho cardeal, era algo que a Santa Sé precisava nestes tempos conflituosos.

O cardeal brasileiro sentou-se, e novamente o chapéu foi colocado. Novo silêncio, nova expectativa, até que, de repente, o chapéu começo a murmurar:

- Paaaaaaa...

O velho cardeal suspirou. Só mais uma sílaba igual a essa, pensou, e o trabalho estava feito. Era visível na expressão de todos a mesma esperança. Ninguém lá era mais jovem, precisavam descansar, voltar a sua rotina, e aquele conclave estava demorando mais que o necessário. Mas precisavam ter certeza.

- Paaaaaaa... - continuou o chapéu, até que, finalmente – Paaaaaaamonha! Paaaaamonha! Pamonha de Piracicaba! É o puro creme do milho...

Desta vez ninguém entendeu nada. Que versos estranhos eram aqueles? Só compreenderam que não era um sinal de divindade quando o próprio cardeal brasileiro retirou o chapéu e voltou ao seu lugar, um pouco encabulado.

- Isso não está funcionando – declarou o velho cardeal, já irritado. - Este chapéu está com problemas. Sugiro que não o usemos mais. Ao invés disso, oremos para que o Espírito Santo nos ilumine e nos dê um sinal.

Todos aprovaram a sugestão. Aquilo estava realmente cansando. Simultaneamente eles fecharam os olhos, baixaram a cabeça e juntaram as mãos. Oraram em silêncio, os ouvidos atentos a qualquer distúrbio que pudesse indicar um sinal de Deus.

Subitamente, o salão da capela foi inundado por notas musicais. A prece parou, todos olhando em volta, meio embasbacados, pois não viram ninguém sentado na banqueta do imenso órgão. Mesmo assim o ar era expelido por seus tubos em notas claras. Em seguida, uma voz doce e profunda tomou o ambiente.

“And now, the end is near;
And so I face the final curtain.
My friend, I’ll say it clear,
I’ll state my case, of which I’m certain.“¹

Alvoroço. Estaria o conclave sendo visitado por anjos? Seria esse o sinal que todos esperavam?

“Regrets, I’ve had a few;
But then again, too few to mention.
I did what I had to do
And saw it through without exeption.“²

Não havia mais como manter a ordem. A voz, antes um murmúrio distante, agora utilizava a concha acústica da capela em sua plenitude. Todos, sem exceção, procuravam a fonte daquela voz misteriosa.

“Yes, there were times, I’m sure you knew
When I bit off more than I could chew.
But through it all, when there was doubt,
I ate it up and spit it out.
I faced it all and I stood tall;
And did it my way.”³

Sem ser convidado, um rato enorme escalou a mesa, parando sobre as patas traseira na frente do velho cardeal. A voz saía potente por entre seus dentes protuberantes, mais forte do que seus pequenos pulmões poderiam suportar, mas sem dúvida era ele o cantor daqueles versos.

Foi o cardeal americano que finalmente elucidou o mistério. Não que fosse uma explicação muito convincente, mas sem dúvida respondia a mais de uma dúvida:

- Look! It's a rat singer! - e repetiu - A Rat Singer!

Os versos terminaram imediatamente, assim como os sons do órgão. Antes que os últimos ecos se dissipassem o rato fugiu, desaparecendo por uma fenda no mármore. O silêncio voltou à capela.

- Habemos Papam – declarou o velho cardeal, chamando com um gesto impaciente o cardeal alemão. Iniciou uma prece, mas no fundo ficou o gosto amargo da impressão que, por mais que a questão tivesse sido resolvida, uma coisa era bastante clara:

A infâmia estava de volta à Igreja.


¹ “E agora, o fim está próximo; E então eu encaro a cortina final. Meu amigo, eu direi isso claramente, Apresentarei meu caso, do qual estou certo.“

² “Arrependimentos, eu tenho alguns; Mas de novo, muito poucos a mencionar. Eu fiz o que tinha de fazer, E perseverei sem exceção.”

³“Sim, houve um tempo, Tenho certeza que você sabe; Quando eu mordi muito mais do que poderia mastigar. Mas mesmo assim, quando havia dúvida, eu engoli e cuspi. Eu encarei, e permaneci de pé. E fiz isso da minha maneira.”
(Trechos de “My Way”, de Frank Sinatra)

02 maio 2007

Antes um Tremendão do que um Tremedo Bundão

Engraçado como às vezes um fato aparentemente banal pode gerar impressões tão diferentes.

Ontem assisti a um trecho da entrevista do Erasmo Carlos (sim, ele tem um site oficial que é uma brasa, mora?) no desgastadíssimo Programa do Jô e, vendo aquela aparência abatida, meio demodê, meio desgastada, perdida num paradoxo de si próprio, pensei cá com meus zíperes e botões: "Quero ser um velho assim!".

Sei lá, achei aquela imagem carregada, pesada do ídolo de outrora algo a ser venerado. Claro, ele tem seus problemas, carrega o fardo de ser uma auto-paródia pelo resto da vida, essas coisas. Mas a gente sabe que cada ruga, cada olheira, cada fio branco teimoso daquela cabeleira ainda rebelde conta uma história. Muitas. Com certeza está aí um cara que viveu, que não deve se arrepender de nada do que fez, mesmo quando cagou, quando errou, quando se estrepou. E eu respeito isso. Muito mais do que sua contraparte perneta e perseguidora de biógrafos, sem sombra de dúvida.

Eu nem ia escrever nada a respeito, confesso. Mas daí vi esse pôste lá no Jesus Me Chicoteia e senti um impulso de defender o Velho Tremendão, mesmo nunca sendo grande fã de sua música e nem mesmo de sua pessoa. Sei lá, achei a argumentação do Marco Aurélio meio fraca, meio superficial, completamente coxinha. Claro, são opiniões diversas vindas de pessoas (imagino) também bastante diferentes.

Mas eu não seria eu se não me expressasse.

26 abril 2007

Trôpego Trottoir


Como ando irritado, estressado e cansado demais para escrever algo decente, desisto de simplesmente apagar arquivos com páginas e páginas de textos ruins e indico a leitura de outros textos em outros blogues por aí. É isso mesmo, hoje vou gozar com o pau dos outros. Me processe. Mas entre na fila.

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Para começar o texto lisérgico e sem pontos finais que o Sérgio Rodrigues escreveu lá no Todoprosa. Leia de um fôlego só.

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Depois o texto sincero que o Donizetti escreveu hoje lá no seu blogue, o Hedonismos sobre essa viciante megalópole em que vivemos. Vale também pela citação, lá no finalzinho, do Novas Visões de São Paulo. Valeu, Doni! Não te conheço pessoalmente mas quando isso acontecer a próxima rodada é por conta do Richard!

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Já a Lucimara Paiva discorre deliciosamente sobre a paixão pela música que nós, leigos, possuímos mas não compreendemos completamente. Lá no blogue do Soltando o Verbo. Vale um bocado a leitura. Com sal e limão, Lu!

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E o Henry Bugalho, da comunidade Escritores - Teoria Literária do Orkut está traduzindo o workshop "Escrevendo Ficção", ministrado pelo The Gotham Writers, e disponibilizando tudo lá no Blog do Escritor. Vale muito a pena acompanhar.

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E, para finalizar, a bem sacada tirinha de hoje lá no Malvados (clique na imagem para ampliar):