Prêmio de Consolação à Fidelidade
| Para compensar minha ausência para meus poucos (mas queridos) leitores, segue abaixo uma maneira simples de descontar as frustrações, principalmente quando o alvo é assim tão específico: Link: PlayMyGame |
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| Ontem fui junto com a Cristina Lasaitis assistir à leitura da peça After Darwin, que estreará em breve, junto com a exposição de mesmo tema que será inaugurada no MASP. A peça realmente promete. Didática e divertida, usando e abusando de metalinguagens e de atuações por vezes um pouco over, mas nada que estrague. O mais interessante é que o texto instiga discussões acaloradas e diversas, tais como os limites da ética, da intervenção teológica em contraponto com a visão científica, do fatores socio-culturais e além. Quando estrear, não percam. O chato aconteceu depois. Fui idiota e muquirana o suficiente para deixar meu carro na rua. Todos que moram nesta cidade desgraçada sabem que deixar o carro na região da Paulista é no mínimo certeza de dor de cabeça. Claro, eu não fugi do clichê. Assim que entrei no carro notei que algo estava muito errado. Porta-luvas escancarado, todo seu conteúdo espalhado pelo carro, os bancos bi-partidos deitados, as tranqueiras do porta-malas espalhadas, coisa e tal. Estranhei que o rádio ainda estava lá (eu tinha levado a frente comigo). Liguei o carro e saí dali. Só fui fazer um inventário preciso mais tarde. E, para minha total e completa surpresa, descobri que as únicas coisas que estavam faltando no carro eram os dois exemplares da Coleção Necrópole que eu sempre carrego comigo para casos de necessidade (tipo alguém não acreditar que sou escritor). Então você, ladrãozinho mequetrefe desta cidade maldita, caso um dia chegue até este meu blogue, saiba que tenho esperanças que você ao menos tenha roubado estes livros pois se interessou pelo conteúdo, e não com o intuito de trocar por pedras numa boca do lixo qualquer. Não tenho ilusões que minha obra irá despertar uma reação catártica ou uma epifania qualquer em sua cabeça limítrofe, mas torço veementemente que estes sejam apenas os primeiros de muitos livros que você lerá, e que este hábito se entranhará em sua rotina diária e transformará sua vida de tal maneira que você nunca mais necessitará arrombar e invadir a propriedade alheia atrás de alguma coisa qualquer que, espero, servirá apenas para aplacar algum tipo de desespero primal. E já considere-se convidado para o lançamento de meus próximos livros. Pode ir. Faço questão de te dar um livro autografado DE PRESENTE. Não é armadilha, não. É sério. Te espero lá. |
Engraçado como às vezes um fato aparentemente banal pode gerar impressões tão diferentes.Ontem assisti a um trecho da entrevista do Erasmo Carlos (sim, ele tem um site oficial que é uma brasa, mora?) no desgastadíssimo Programa do Jô e, vendo aquela aparência abatida, meio demodê, meio desgastada, perdida num paradoxo de si próprio, pensei cá com meus zíperes e botões: "Quero ser um velho assim!". Sei lá, achei aquela imagem carregada, pesada do ídolo de outrora algo a ser venerado. Claro, ele tem seus problemas, carrega o fardo de ser uma auto-paródia pelo resto da vida, essas coisas. Mas a gente sabe que cada ruga, cada olheira, cada fio branco teimoso daquela cabeleira ainda rebelde conta uma história. Muitas. Com certeza está aí um cara que viveu, que não deve se arrepender de nada do que fez, mesmo quando cagou, quando errou, quando se estrepou. E eu respeito isso. Muito mais do que sua contraparte perneta e perseguidora de biógrafos, sem sombra de dúvida. Eu nem ia escrever nada a respeito, confesso. Mas daí vi esse pôste lá no Jesus Me Chicoteia e senti um impulso de defender o Velho Tremendão, mesmo nunca sendo grande fã de sua música e nem mesmo de sua pessoa. Sei lá, achei a argumentação do Marco Aurélio meio fraca, meio superficial, completamente coxinha. Claro, são opiniões diversas vindas de pessoas (imagino) também bastante diferentes. Mas eu não seria eu se não me expressasse. |